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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

24
Fev17

Óscars, despedidas e outras justificações

 

Meus caros, o aborrecimento é real. Faltam dois diazinhos para os Óscars e este foi o ano em que falhei redondamente em ver os nomeados. Pior que tudo: este vai ser o ano em que não vou ver a cerimónia, facto que me tem dado uma urticária tremenda. Mas também pergunto: quem, no seu perfeito juízo, marca a cerimónia dos Óscars para a melhor noite do carnaval de Torres Vedras? Depois não se venham queixar que notaram uma quebra de audiências, meus amigos de Hollywood.

 

A falha que mais me está a incomodar é o facto de não ter conseguido ver o "Moonlight" por tudo o que tenho lido aqui pela blogosfera. Apesar disso, acho que temos mais uma vez um bom conjunto de filmes nas principais categorias. O ano passado vivi imenso a cerimónia. Lembro-me que no dia seguinte tinha um teste importantíssimo muito cedo e por isso não pude ver a cerimónia até ao fim - e isso incluía não ver se o DiCaprio ganhava ou não. Na manhã seguinta acordei dez minutos mais cedo e ainda toda despenteada, meia a dormir, fui ver a gravação. Acordei os meus pais com os meus festejos. 

 

Este ano, apesar de mesmo assim ter visto coisas muito boas, não estou com tanto entusiasmo para nenhum dos filmes como estava com o "Renascido" o ano passado. Talvez seja por saber que não vou assistir à cerimónia, talvez seja por não ter visto tudo e portanto não querer formar uma opinão... Não sei. No entanto, vou estar a torcer pela Natalie Portman e pelo Denzel. E pela Viola Davis. Quanto ao melhor filme, o meu coração cai para "Fences", mas a esta previsão não liguem muito porque só vi quatro dos oito filmes. 

 

Esta é uma altura ótima para escrever - falar dos vestidos, dos vencedores, dos derrotados, dos discursos -, mas estou aqui hoje para justificar a minha ausência nos próximos dias. Juro que não vai ser mais uma desistência da minha parte - amo de coração este meu blog. Mas acontece que vou sair hoje de casa e só volto quarta-feira - a minha mãe está escandalizada, fica todos os anos. Depois de vários dias de trabalho árduo, chegou a melhor altura do ano na zona saloia e por aqui, não dava para se estar mais entusiasmado. Vão ser 5 dias de folia, em que as horas de sono vão ser praticamente nulas - as minhas apps de saúde vão ficar super baralhadas. 

 

Prometo, no entanto, tentar tirar uma foto todos os dias para quando voltar, vos falar da experiência que vai ser o carnaval 2017, porque nunca estive tão orgulhosa das minhas máscaras. Espero que daqui a cinco dias, vocês ainda se lembrem de mim e que ainda estejam por cá.

Vejam os telejornais dos próximos dias, ou o "Portugal em Festa" no domingo, que a televisão vai sempre a Torres Vedras e lembrem-se que aquela miúda engraçada, a do Sinónimo, está lá pelo meio. 

 

Até quarta-feira, meus caros!!

 

Carnaval é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

22
Fev17

Entre o sono santo e a hipnose

Gosto de todos os dias vir aqui falar de alguma coisa diferente. Já tinha um tema programado para o meu post de hoje e assim que me lembrei dele, anotei-o. Entretanto, lembrei-me de outro ainda melhor! Quando a lampadazinha se acendeu por cima da minha cabeça fiquei mesmo contente porque tinha a certeza de que quando clicasse em "publicar" ia ficar mesmo orgulhosa do trabalho que tinha feito. Acontece que esse segundo tema, essa ideia absolutamente brilhante, não foi anotada. Resultado: esqueci-me de que epifania foi essa e cheguei à conclusão que se calhar está a chegar a altura de começar a tomar memofante ou lá como se chama. 

 

Posto isto, vou-vos falar de uma experiência que me deixou bastante confusa. Tanto, que nem sei bem como me sentir em relação a ela. Curiosamente, está completamente ligada com meu post de ontem sobre as aplicações. 

Lembram-se de ter dito que estava tudo bem, que estava a adorar as minhas aplicações de saúde e que não me parecia que me estivessem a ser enviadas mensagens subliminares? Pois, hoje de manhã fiquei um bocado confusa em relação a essas afirmações orgulhosas, de pulmão cheio, que fiz ontem. 

 

Eram 22h30 quando terminei o meu duche e me preparei para ir para cama. Tinha preenchido os dados na app da menstruação, registando tudo o que tinha sentido ao longo do dia. Tinha, durante o jantar, alcançado mais uma vez o objetivo auto-imposto relativamente à quantidade de água a beber por dia. Tudo ok até aqui.

 

Deitei-me, peguei no volume dois de Guerra dos Tronos e li umas páginas. O Rapaz ligou, e apesar do cansaço de ambos, estivemos ainda uma horinha na conversa. Tão bom, maravilhoso, tudo ok. Despedimo-nos e eu sorria enquanto desligava o telemóvel. "Coisa mais linda de sua menina!"

 

Eram cerca de 23h35. Estava mais que na hora de ir dormir. Programei o despertador para as 8h30 da manhã, peguei nos fones e no ecrã do telemóvel já se lia "Make sure you get some Headspace" - o nome da app é mesmo muito bom, eu sei. Lá fui eu para o segundo dia do meu percurso de dez dias de speed meditação. Escolhi a faixa para a noite de ontem, arranjei uma posição confortável e preparei-me para apagar a luz. Não o fiz porque o senhor lá me disse para começar o exercício de ollhos abertos, tomando hoje consciência do espaço à minha volta. "Apago quando acabar", pensei. 

 

O exercício lá começou. Incrível. Respiração no lugar, sentia-me cada vez mais capaz de esvaziar a mente de qualquer pensamento, muito mais do que no primeiro dia. 

 

E pronto. Sim, é isto. Não me lembro de mais nada. Quando abri os olhos pensei "bem, vamos lá descansar. Esta app é mesmo relaxante." Tirei os fones, pu-los na mesinha de cabeceira, apaguei a luz, agarrei no telemóvel para o pôr a carregar - como todas as noites - e..... o relógio marcava 7h18 da manhã. Exato. Acreditem que se estão confusos a ler isto, eu tive vontade de bater com a cabeça na parede para perceber o que se tinha passado.

Eu tenho o sono leve. Acordo com brechas de luz se a persiana não estiver bem fechada, acordo com o vibrar dum telemóvel e às vezes até com o meu pai a ressonar no andar de baixo. Eu dormi cerca de oito horas, de luz acesa, de fones nos ouvidos, SEM ME MEXER!!! O telemóvel ainda estava em cima da minha barriga, tal e qual o deixara quando cliquei no play

 

Se me perguntarem, digo-vos que tive uma noite santa. Nem sequer sonhei - que tem sido muito comum - e mesmo acordando uma hora antes do despertador, sentia que poderia começar ali o dia porque tinha descansado a sério. Claro que pode ter sido apenas uma noite bem dormida. Claro que poderia estar só mais cansada do que o normal. Azar que foi no segundo dia em que experimentei uma app na qual se ouve uma voz a dizer-te como respirar e que a maior parte das pessoas acha um bocado estranha. Epá, acontece..... certo?

Questionar se se foi hipnotizada é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

21
Fev17

Deliberadamente controlada pelo Steve Jobs

Bem, hoje custou-me tanto a levantar da cama que vocês nem imaginam. Adormeci no ombro do Rapaz em três segundo e o pobre coitado não me conseguiu acompanhar - faço já aqui o reparo à Barraqueiro Oeste, que faz autocarros para anões e o Rapaz, grande e possante, fica ali meio entalado. 

 

Fui a primeira a chegar à sala de estudo da faculdade. Fui buscar um cappuccino e já fiz as minhas primeiras leituras do dia. Depois de escrever, vou adiantar trabalho para o seminário que vou ter hoje. Tudo isto, antes do meio dia. Apesar de ter custado um bocadinho (grande) a sair da cama e não estar com a cara a mais bonita de todas, admito que estou a gostar muito de me sentir produtiva. 

 

Nos últimos dias tenho andado um bocado stressada, coisa que não tem facilitado as minhas noites de sono - semestre novo a começar, querer ir ao ginásio e não ter horas, os transportes que são um caos, a resposta do estágio que não chega... e por aí fora. Por essa razão, há uns dias respirei fundo e percebi que vou ter muitos momentos como este pela vida fora e que tenho de aprender a não me esquecer de mim nos entretantos. Para me ajudar, descobri a minha nova cena preferida: aplicações. Sim, as do telemóvel.

 

Estas coisas sempre me fascinaram mas nunca aderi porque não tinha um telemóvel bom, que não começasse a fumegar sempre que instalava alguma coisa nova. No Natal comprei um iPhone - e correndo o risco de soar  um bocado Kardashian - mudou a minha vida. Adoro-o. Amo-o, até! Já para não falar que posso ter mil e quinhentas aplicações que aquilo parece que não é nada com ele, é tudo esteticamente muito mais bonito - e isso agrada-me muito. 

Ontem foi dia de investir na minha pasta da "Saúde". Fiz o download de três aplicações - fora a de origem, que já me conta os passos e me faz um gráfico todo catita com as minhas horas de sono. Descarreguei uma para controlar o meu calendário menstrual, outra para beber água e outra - a minha preferida - para meditar. 

 

O calendário menstrual é só engraçado. Faz-me todas as perguntas e mais algumas - como está a minha pele, o meu humor, que dores tive, os desejos, as horas de sono... e depois - claro! - faz-me outro gráfico desses que eu adoro com a minha evolução ao longo do ciclo. Chama-se Clue e é gira que se farta. 

 

A da água tem sido um desafio. Chama-se "My Water" e o ecrã vai enchendo de água à medida que vamos bebendo ao longo do dia. Coloquei o meu objetivo diário para dois litros. Ontem bebi 107% do objetivo e quando fui para a cama dei uma palmadinha nas costas. Agora só preciso de uma app que me lembre de ir à casa de banho.

 

A de meditação chama-se "Headspace" e fiquei fã. Já falei várias vezes aqui de ansiedade e de haver muita coisa capaz de me tirar o sono - as minhas amigas dizem que é típico do meu signo e eu acredito nelas. Já disse que jamais irei ter uma filha a nascer em setembro. Por essa razão, decidi experimentar esta aplicação, aconselhada neste vídeo

 

Até agora sei que tenho um percurso de dez dias. Cada dia tenho uma faixa para ouvir, com a duração de dez minutos. O objetivo é usar esses dez minutos para esvaziar a mente e concentrar-me em mim, no meu corpo e nos meus sentidos. Na faixa de ontem ouvia-se a voz mais calma do mundo - e masculina! - a dar-me instruções sobre como respirar e como tomar consciência do meu corpo. O que mais gostei foi do facto de ele - tenho que lhe arranjar um nome - mencionar várias vezes que, visto ser o primeiro dia, era normal que ainda fossem aparecendo vários pensamentos durante os dez minutos da faixa. Isso, acreditem ou não, dá um conforto extra porque não sentimos nem que estamos a fazer aquilo tudo mal nem que estamos a ser ridículos. Fiquei fã e acreditem que sou bastante cética em relação a estas coisas. 

 

Perante o meu entusiasmo com a minha pasta da "Saúde", os meus pais questionaram-me se eu não estaria a deixar-me controlar pela tecnologia. Se calhar estou. Se calhar estou a ter a ilusão de escolha, quando na verdade estou a ser condicionada pelo Trump e os seus minions sem me aperceber. Se calhar - como me alertou o Rapaz em tom de brincadeira - estou a deixar que o moço da meditação me envie mensagens subliminares para o cérebro. 

 

Mas epá... se me faz sentir melhor, ter uma pele mais bonita, saber quando vem aí o TPM e beber mais água, acho que posso viver com isso. Isto das apps e da tecnolodia é sempre um pau de dois bicos mas acho que se vivemos numa era com acesso a ferramentas que tornam hábitos diários numa coisa mais divertida, por que não aproveitar? Sim, os meus avós não tiveram nada disto e estão muito felizes e bem de saúde, muito obrigada. Mas as coisas estão cá, alguém perdeu tempo a inventar isto - mesmo que tenham sido os minions do Trump. Por que hei-de rejeitar uma app tão gira e substituí-la por uma lista mal amanhada, escrita à mão? Até agora ainda me sinto eu própria, não fiquei a sonhar com atentados que nunca aconteceram, por isso acho que está tudo bem. Vou dando o update, pelo sim pelo não. 

 

Apps giras giras giras são (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

 

20
Fev17

Sem Spoilers #4 - Fences

 Na passada sexta-feria foi dia de - finalmente - ver o "Fences". Para vocês - meu queridos - que têm vindo a ler as minhas modestas opiniões sobre os nomeados para os Óscars 2017, sabem do meu desejo de ver este filme. Em quase todos os textos que fazem agora parte do Sem Spoilers disse que, só vi o filme que então comentava por problemas técnicos a tentar ver "Fences". Por isso as expectativas estavam altas. Não por ver trailers ou ler outras reviews - não tinha visto nem uma coisa nem outra. Estava apenas curiosa, porque praticamente cresci a ver o Washington trabalhar - ter um irmão onze anos mais velho, com ótimo gosto em filmes teve as suas vantagens. 

 

Ao fim de quinze minutos, ainda sem perceber muito bem qual seria o tom que a história iria tomar, já não conseguia contar mais o sorriso. Podemos começar pelo sotaque de Denzel Washington e de Sephen Henderson - uma personagem que parece tão pequena mas torna o filme tão mais terno. Para uma amante de línguas como eu - e obcecada por sotaques e dialetos, sobretudo britânicos e americanos - este é um filme simplesmente delicioso. Aquela forma de falar, quase gritando, tão rápido - que quem aprende inglês académico pode ter que recuar para ouvir melhor - é dos exercícios que mais gosto de fazer. A primeira vez que se ouve DW usar a palavra nigga em voz bem alta no seu quintal até faz estremecer. Não pela violência da palavra ou pela carga que tem, mas sim pela naturalidade com que é ali empregada - representando uma realidade que para mim parece ter tão pouco disso - de real.

 

Posso estar completamente errada - não sou ainda tão croma de cinema como gostava - mas sempre que penso nos trabalhos cinematográficos de Denzel Washington penso sempre num homem de poder, quer seja o bom ou o vilão. Sempre engravatado, a tentar salvar o dia. Neste, Denzel é tudo menos isto. Sim, podemos vê-lo como um vilão: vivendo mais de 40 anos num pleno e constante estado de frustação, refugia-se na bebida, nas histórias que inventa, mente à esposa dedicada e maltrata os filhos. Mas este vilão que vemos em Troy, não é como aqueles a que estamos habituados. Nem é um Joffrey Baratheon ou um Joker. É um vilão que pode existir dentro das vedações de cada casa por que passamos no nosso caminho para o trabalho, e isso é sem dúvida o que mais prende o espectador. 

 

A interpretação de Washington é brilhante, real e assustadora. A banda sonora é quase nula, porque não há espaço para ouvi-la - os diálogo incrivelmente articulados, nunca entre mais de quatro personagem, duram cerca de vinta minutos cada, sendo que quinze desses vinte são ocupados por autênticos monólogos do protagonista. Quando cada diálogo termina, dá vontade de pôr pausa, levantar do assento e aplaudir. Senti-me no teatro. 

 

É preciso também reconhecer que estes diálogos fantásticos a que assistimos só são possíveis pelo trabalho igualmente exemplar dos atores secundários, sobretudo de Viola Davis. Adoro a senhora desde o primeiro filme em que a vi e mais uma vez, está igual a ela própria. Casting simplesmente perfeito, para representar uma história tão real que necessitava de atores capazes de serem tão reais quanto o próprio argumento. 

 

Depois de ver o filme, fui ler algumas reviews e o comentário mais comum é o de que a história não tinha assim tanto conteúdo para durar cerca de duas horas e meia no ecrã. Concordo em parte com esta afirmação. Sim, é verdade que a história não é extraordinária - muito pelo contrário, poderia ser a história de qualquer família - mas não dei pelas duas horas e meia. Mesmo com uma banda sonora praticamente inexistente nunca senti que o filme corresse o risco de cair numa lentidão que fizesse a audiência desligar da história em certos momentos - como aconteceu com Manchester By The Sea - mantendo-me sempre atenta, ávida por querer saber mais, saber qual o próximo grito a ser dado - de medo, de frustação, de raiva, de tristeza. Apesar do panorama meio negro, é sem dúvida o meu preferido até ao momento. 

 

No mesmo dia, vi "Hidden Figures" e apesar de ser uma história verdadeiramente inspiradora e de adorar todas as atrizes, Viola Davis - em "Fences - deixou-me com mais vontade de a aplaudir no fim, arrepiou mais do que Victoria Spencer - em "Hidden Figures" - filme em que cheguei mesmo a preferir o desempenho de Taraji P. Henson. Em termos de melhor filme, "Fences" vai à frente por bastantes pontos aqui no Sinónimo. 

 

Go Denzel! Go Viola!

 

9.5/10

 

Cinema é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

17
Fev17

Feliz dia de São Sapo!!

Hoje o meu blog faz 16 dias de vida. O objetivo primordial deste blog, no momento em que o criei, foi sem dúvida a reintrodução da escrita na minha vida. À medida que vou crescendo, vou-me apercebendo que existem duas coisas na vida que são extremamente eficazes para mim: listas e rotinas. Descobri que adoro fazer "certinhos" nas listas e assinalar o que já fiz. Agora percebo também que certas coisas que antes detestava fazer, foram agora promovidas à categoria do "não me importo" porque as fiz parte de uma rotina. 

 

Queria fazer exatamente isto com a escrita. Numa primeira semana queria "obrigar-me" a escrever - pelo menos de segunda à sexta - para que na segunda semana já ficasse com saudades disto, se falhasse um dia. Pus isto numa lista - obviamente - e este item já tem um certinho à frente. 

 

Neste momento, o Rapaz diz "Amor, agora já podes publicitá-lo!". Até aqui sempre lhe dissera que queria esperar para mostrar  o meu cantinho em facebooks e instagrams desta vida, esperando que a escrita se tornasse rotineira - agora já não tenho razão para esperar, mas admito que até gosto disto assim. Combinámos esperar que passasse o Carnaval. O que vos tento dizer é que, excluindo a minha família mais próxima, ninguém que me conheça sabe que eu tenho este blog. 

Por essa razão, nunca esperei qualquer subscritor ou comentário, ou qualquer outro tipo de miminho. Quando eu comecei, há muitos anos, a tentar um blog por aqui, ainda não havia essas funcionalidades e por isso, no dia 2 de fevereiro quando o Rapaz me ajudou a abrir isto, nem pensei na hipótese de mais alguém ler as minhas palavras. 

 

O que quero dizer com isto é que me sinto muito grata por cada mimo vosso que recebo, de todos os 15 de vocês. Conhecendo-me pessoalmente ou não. Há uma semana reparei que no Sapo se faz a Follow Friday. Não aderi porque não achei que tivesse algo de benéfico para os blogs que pudesse escolher, precisamente por ser ainda tão pequenina. 

Hoje adiro. Adiro não por achar que os escolhidos vão ter um aumento enorme nas leituras nem que os seus blogs irão crashar de tantas visitas, mas adiro em forma de reconhecimento e agradecimento.

 

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Chic'Ana

&

O Jardim Secreto

 

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As duas já têm algum tempo disto, percebem mais disto que eu, sabem como ser sinceras e engraçadas sem esforço nas palavras - outro objetivo meu - mas acima de tudo (e não desfazendo ninguém) sinto que foram as primeiríssimas a darem-me as boas-vindas aqui. Sem me conhecerem, senti que apostaram em mim. A Chic'Ana foi o meu primeiro comentário de SEMPRE aqui - deviam ter visto a minha cara de parva a olhar para o ecrã do computador. A Luella tornou-se aquela visita que gosto sempre de receber porque tráz com ela uma palavra, uma opinião, um contributo e hoje fez-me o meu primeiro Follow Friday!!!

 

Se calhar todos os que por aqui passam já as conhecem. Se sim, vão lá e digam olá. Se não conhecem, façam o mesmo. 

 

Follow Friday é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

 

16
Fev17

Quando o cheiro a mofo é cheiro a rosas

Hoje tive uma noite terrível. Os sonhos foram estúpidos e deixaram-me cansada assim que acordei. O despertador também tocou mais cedo do que o costume: marcava 6h30 da manhã. Hoje ia ter que me maquilhar, porra. Não que não goste, muito pelo contrário, mas de manhã, chega-me o rímel para um dia normal. Hoje não ia ser um dia normal. 

 

Próximo passo: escolher a roupa. Não queria ir de calças de ganga. Escolhi as de fato, aquelas pretas, que se usam em ocasiões especiais e funerais - mas gosto delas. Mostram a canela, dá para usar os meus ténis brancos, e acabam por ser só qb formal. Ideal para hoje.

 

Depois, lá me maquilhei. Resmas de corretor nas borbulhas do stress dos últimos dias. Bolas, foi demais. "Agora tens que abusar no bronzeador, só para não pareceres mais pálida do que és sem nada disto na cara." Ponho o rímel e dou um toque nas sobrancelhas: "estás viva." Tive que usar o batom da Mac - detesto usá-lo desde que descobri que testam em animais, mas hoje, era o rosa perfeito para o efeito. 

 

Autocarro, direto pela auto-estrada - acreditem, são poucos. 8h30 no Campo Grande. 9h02 no Marquês de Pombal. "Bolas, e agora qual é a paragem certa?". Lá tive que recorrer aos prints que tirei do Google Maps. Autocarro 732 às 9h06. Fiz-me ao caminho, com o nervoso graúdo a dar-me pontapés no estômago. 9h35 no destino. Cheguei uma hora mais cedo, mas conhecendo como me conheço, as probabilidades de me perder eram enormes. Foi melhor assim.

 

Enquanto tomava o pequeno-almoço num café simpático das redondezas, imaginei-me ali todas as manhãs antes de ir trabalhar - gostei da imagem... e da merenda mista. Para meu espanto, consegui comer tudo sem estar mal disposta de nervos, mas depois vi as horas. 10h11. Faltavam 19 minutos para a entrevista. 

 

Fui andando e fiquei de plantão à espera que chegasse a hora, pensando em todas as perguntas que me poderiam fazer na minha primeira entrevista de sempre. "Mas eu sou péssima a falar de mim!!!" Bati à porta às 10h28 - adiantada qb. "Tens que mostrar que és pontual."

 

A entrevista começou e eu fiquei assustada: "Pelo teu currículo, não percebi bem porque é que escolheste vir para aqui." Acreditem, ouvir isto da boca de alguém que coordena um dos sítios para onde vocês gostavam de vir a trabalhar, é um grande choque. Começam a questionar se o percurso académico e profissional que desenharam para vocês está todo errado, e que passaram os últimos 4 anos a viver em Nárnia. 

Lá expliquei. "AHHHH! Pronto, assim compreendo. É que com estes nomes dos cursos de hoje em dia, nós empresas, nunca percebemos bem o que é que vocês estudam!" Respirei fundo e ri-me. A conversa continuou. Quanto mais me diziam o trabalho que ali faziam, mais eu ficava com os olhos a brilhar.

 

Discutimos horários e aceitaram a minha proposta - toda a condizer com o horário do Rapaz. Aceitaram os dias em que iria lá trabalhar - sobretudo quando lhe disse que demoro cerca de duas horas e meia a lá chegar. Falei dos dias do carnaval, perguntando se poderia não ir nesses dias, aproveitar as férias da faculdade e compensar as horas noutro dia: "Querida, não te preocupes, pus férias nessa altura. Se cá ficares conosco, começas em março." Os meus olhos brilharam mais, respirei mais fundo. "Entro em contacto contigo quando falar com o meu administrador, mas agora podes dar uma vista de olhos às instalações." 

 

Apertámos a mão e lá fui eu explorar. Os nervos saiam-me pela ponta dos dedos que tremiam mais agora do que durante a entrevista. Quando dei por mim, estava rodeada de vitrines com tralha - como qualquer pessoa normal lhe chamaria - com o seu quê de cheiro a velho - mais propriamente do séc. XVIII e não me poderia sentir mais feliz.

 

Só queria pegar em tudo com luvas, limpar, tomar conta, contar a sua história: quem o deu, para que serviu, como se chama, de que país veio, que importância teve no seu tempo e porque é que merece estar num museu, junto do público. 

Só quero estar rodeada de tralha velhinha. Vamos fazer figas. 

 

Ser estagiária é (Sinónimo de) Carmezim - vamos lá ver!

Marta.

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A Marta

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