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(Sinónimo de) Carmezim

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05
Mai17

À Descoberta #2 | Tasca do Celso

"Dois À Descoberta em três dias? Depois queixa-te que não tens tempo para nada, andas sempre a passear!", estão já vocês a pensar... mas não! Ainda é sobre o fim de semana fantástico que passei pelo Alentejo/Algarve. Hoje venho partilhar com vocês o restaurante a que fomos jantar ainda antes de nos instalarmos na Aldeia de Pedralva: A Tasca do Celso

 

A Tasca do Celso situa-se em Vila Nova de Milfontes, a nossa primeira - e única paragem - antes de chegar ao destino. Uma de nós já conhecia o espaço, já lá tinha ido há uns anos e só tinha coisas boas a dizer. Pelo caminho foi-nos falando sobretudo da decoração e dos vinhos. Quando lá chegámos, até ela ficou supreendida. 

 

 

Confesso que me deixei levar pelo nome e por isso imaginava um pequeno espaço típico da região: uma pequena "tasca", tal como o próprio nome indica. Não poderia estar mais enganada. Tínhamos ouvido falar de uma sala acolhedora e decorada com muito bom gosto. Assim que entrámos no restaurante demos logo com umas três salas diferentes, que tendo sempre alguns pormenores decorativos em comum, pareciam ter paletas de cores muito diferentes. Uma mais clara, com os brancos das mesas e das paredes que contrastam com as cores fortes dos guardanapos de pano; outra, a maior - e onde nós ficámos - em tons castanhos, com a madeira a ser o principal materal usado nesta sala; a terceira - e minha preferida - era uma espécie de garrafeira onde os clientes que ficavam à espera de mesa ficavam sentados - em mesas a fazer lembrar troncos de árvores centenárias ou em sofás muito confortáveis - enquanto bebiam um copo para abrir o apetite. 

 

Nesta terceira sala, onde estivemos alguns minutos - o restaures estava cheio e como somos mulheres, chegámos atrasadas à nossa reserva - era para mim a melhor decorada. O bar era composto por várias pipas de vinho e o restante mobiliário pareciam bocados de troncos de árvore acabados de tirar do bosque. Todas as paredes estavam cobertas de garrafas - parecia que ali estavam todos os vinhos possíveis e imaginários. 

 

Seguimos para a mesa e começou a melhor parte: comer. Não sou uma pessoa que precise de muitos luxos, nem pouco mais ou menos, sobretudo quando se trata de comer. Ter ido para lá à espera de entrar numa "tasca" não era algo que eu visse como negativo, muito pelo contrário. Estando habituada a Lisboa, sei perfeitamente que muitas vezes essas pequenas tascas são também os sítios onde se come melhor. Apesar de nada disto ser sequer parecido com uma tasca, bastou-me olhar para os clientes já servidos para perceber que estava num local onde ia com certeza comer - e beber - bem. 

 

Entre vários pratos de aspeto fantástico, desde peixes grelhados até às sobremesas que viamos passar, para mim a escolha até foi fácil: carne de porco à alentejana. Sim, eu sei que posso comer este prato em qualquer lado, mas não sei quando poderei voltar a comer carne de porco à alentejana... no Alentejo! Digo-vos amigos... não estava pronta para o que vinha aí. 

 

Com uma bela de uma batatinha frita apareceu-me à frente uma travessa de barro com uns bons bocados de carne, com pouqíssima gordura. Como diría aquele miúdo fofinhho do Master Chef, "era só xixa!" Comi e chorei por mais, sobretudo porque esta iguaria fantástica foi acompanhada de "Diálogo", um vinho tinto que fez jus ao prato. Duas de nós escolheram um bife ao alho e apesar de não ter provado posso-vos dizer que elas pareciam tão felizes quanto eu. 

 

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Para sobremesa, provámos uma mousse de lima e limão - se não estou em erro! - que mais parecia uma caipirinha no prato. Um aspeto que achei especialmente interessante: entre a sobremessa e os cafés, trouxeram-nos à mesa dois cestinhos cheios de frutos secos. Achei um pormenor mesmo engraçado, porque nunca tinha estado num sítio onde fizessem tal coisa. Depois dos cafés, o digestivo. Fomos apresentadas a um INCRÍVEL - mas a sério, vocês nem sequer estão a perceber - licor de bolota. Quando o simpatiquíssimo Zé - que tão bem nos atendeu - nos trouxe a garrafa, olhei para o que trazia lá dentro e só pensei "isto vai arder tanto!" mas não podia estar mais enganada. Quando bebi o pequeno cálice mais parecia que tinha engolido uma colherzinha de mel. Super suave, doce qb e com um verdadeiro sabor a frutos secos. 

 

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O atendimento foi muito bom. Todos os que vieram à nossa mesa riram-se connosco e ainda nos deram algumas informações muito úteis para encontrarmos o caminho para a Aldeia da Pedralva. Até o Celso lá estava! - se bem que só hoje descobri que não era este o seu nome. 

 

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Em termos de preço, não é um sítio para se ir todos os dias nem todas as semanas. Quando vem a conta e se lembrarem de tudo o que comeram, de tudo o que beberam e do quão bem vos soube... não se fica a chorar pelo dinheiro. 

 

Conclusão: a Tasca do Celso não é nenhuma tasca e o dono nem se chama Celso mas tudo o resto que lerem sobre este sítio, é a mais pura das verdades. Sítio fantástico numa vila fantástica. Para a próxima provo o bife!

 

Andar à descoberta é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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