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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

08
Jul17

A vida depois do Abel

Pode parecer, mas este não é o meu post sobre o NOS ALIVE. Ainda não tenho bem a certeza, mas acho que a saga NOS ALIVE vai durar alguns posts. Vi tanta coisa que me fez pensar sobre ainda mais coisas que nem sequer faria sentido não partilhar as minhas opiniões com vocês aqui. É para isso que o blog serve, certo?

 

Este post não é sobre o NOS ALIVE enquanto festival. É sobre o momento específico que foi ver um dos meus artistas preferidos pela primeira, algo que estava no TOP3 dos concertos que mais queria ver nos próximos anos: o meu querido Abel, mais conhecido como The Weeknd. Contra todas as minhas expectativas, consegui vê-lo este ano, bem perto de casa - poderia ter ido outra vez parar ao Porto - e dois dias depois acho que já consigo verbalizar algumas palavras sobre o que se passou na noite de 6 de julho, no Passeio Marítimo de Algés. 

 

 

Pela primeira vez, não estava na primeira fila para ver um dos meus artistas preferidos. Há doze anos que vou a festivais e sempre que havia algum artista do meu coração no alinhamento, eu era daquelas miúdas com um parafuso a menos que era até capaz de passar lá a noite. Hoje em dia acho que já não há nenhum artista que me leve a fazer uma maluqueira dessas, mas olhem que foram experiências que nunca irei esquecer e através das quais aprendi muitos truques para sobreviver nos festivais e nos concertos em geral. 

 

Assim sendo, tinha prometido a mim própria que iria vibrar com o concerto a alguns bons metros de distância do palco principal. Achei que me ia dar bem com essa decisão, especialmente porque estava com amigos e com o meu Rapaz, tudo malta que não aprecia muito empurrões e apertanços no meio da multidão. Enganei-me. Ainda durante o concerto de The XX - que me surpreenderam por terem melhorado tanto a performance desde a última vez que os tinha visto - fiquei logo com urticária. A banda terminou o alinhamento com "Angels", uma balada absolutamente lindíssima e na minha cabeça só pensava "podem calar-se um pouco para se ouvir a música?". Senti que as pessoas ali, a tantos metros do palco, só queriam beber os seus copos e estar na conversa. Atenção, nada contra, mas eu queria mesmo ouvir a música. Obviamente que comecei logo a pensar que estava lixada e que ia ver o Abel dali, rodeada de pessoas que se eu mandasse um grito mais histérico iam olhar para mim como se eu fosse de Marte. 

 

Tal como esperado, um mar de gente foi a correr comer e para as casas de banho no final do concerto de The XX. Pedi ao meu Rapaz, batendo as pestanas: "amor, chegamos um bocadinho para a frente?". O mal dele foi ter dito que sim. Agarrei-lhe na mão, fui à frente a desviar-me da multidão que vinha em sentido contrário - ou seria eu? - e simplesmente não conseguia parar. Deixei de ser racional e fui outra vez aquela miúda de 15 anos que corre quando abrem as portas do recinto. O palco parecia ter íman. Quando dei por isso, estava na grade. 

 

Os cinquenta minutos de espera entre o concerto de The XX e o concerto de The Weeknd foram os mais longos da minha vida. Olhava para o palco e pensava em como há uma semana atrás eu nem imaginava ter a oportunidade de ir ao festival. Depois pensava em como há uma hora atrás eu não imaginava estar agarrada à grade para o ver em "tamanho real". Comecei a sentir aquele nervosinho pré concerto que eu tanto gosto. No entanto, o verdadeiro nervosão veio quando o bass me explodiu aos ouvidos, as luzes começaram a piscar, o fumo começou a tapar-nos a visão e os primeiros acordes de Starboy começaram a tocar. No meio do nevoeiro, qual D. Sebastião, lá apareceu aquele a quem chamo "o meu rico Abel". 

 

Quando ele entrou em palco parece que tudo ficou em câmara lenta. Fiquei ali parada só a olhar e a tentar fixar ao máximo a cara dele - que é muito mais bonita ao vivo! Pareceu-me que estive ali um minuto em que nem ouvia música. Devem ter sido dez segundos, porque ainda estava ele a chegar ao centro do palco e já estava eu de braços no ar a gritar o mais alto que podia, até a voz me falhar. Nem podia acreditar que ali estava, mas ainda mais, não podia acreditar que ele ali estava.

 

O alinhamento foi, para quem é fã já antes deste último álbum, de sonho. Apesar de ter arrancado o concerto logo com Starboy - decisão que tenho visto ser muito criticada, mas que eu achei muito inteligente - a primeira parte do concerto focou-se nos temas mais hip-hop e isso deixou-me logo com a voz rouca. Todos aqueles grandes êxitos de hip-hop, até aqueles em que ele apenas faz participações, estiveram lá todos. Dancei que me fartei e foi engraçado ver que havia ali malta a saber também aquelas letras. 

 

A certa altura ele diz que a música seguinte era para os fãs "originais". Não sei se sou uma fã original, mas a verdade é que já acompanho o trabalho dele há uns 6 anos, depois de ter ouvido um cover dele no YouTube do tema Dirty Diana de Michael Jackson. Foi amor à primeira vista. A partir daí, nunca mais larguei este menino. Como tal, quando ele fala numa música para os fãs mais antigos, fiquei logo com o coração a palpitar. E não é que entra Wicked Games, só mesmo assim para acabar com a minha raça? Estava chocada. Durante esta música tentei não cantar tão alto e fechei os olhos durante grande parte dela só para ter a certeza que gravava aquela sua voz a cantar aquela música na minha memória. Se tinha esperança de assistir a um concerto dele um dia, nunca teria pensado que ouviria aquela música. Foi um presente incrível. 

 

Este tema mais antigo foi mais uma jogada de mestre no alinhamento porque marcou o ponto de viragem, não só da sua carreira como do próprio concerto. A partir desta música começaram os últimos sucessos que toda a gente conhece. Não sou daquelas fãs fundamentalistas que diz que detesta os "novos fãs". Pelo contrário, ainda bem que existem e que toda a gente dançou e cantou com tudo ao som de "I Can't Feel My Face", "Earned It", "I Feel It Coming" ou "The Hills". Aquele concerto foi, provavelmente, das maiores festa a que já fui na minha vida. 

 

Como se o meu coração já não estivesse ali a roçar na taquicardia, ele falou. Como disse, adoro-o e admiro-o há anos, mas achei que ele fosse daqueles artistas que não falasse muito com o público. Enganei-me. Embora pudesse ser clichê e não tão pessoal como as pequenas intervenções dos The XX, falou bem mais do que eu estava à espera. Sinceramente, os críticos de música podem dizer que o que ele nos disse ao longo do concerto é o que "todos os artistas dizem", mas eu não me poderia estar mais a borrifar porque ele disse tudo o que eu queria ouvir. Ainda o consigo ouvir a dizer "Portugal, I love you so much!" e gostei muito, muito obrigada, porque na realidade não poderia ser mais recíproco.

 

Depois, começou a chegar o momento da despedida. No meio das suas correrias, o homem ainda teve o descaramento de vir para a minha frente. Ali, linha reta de mim, a meia dúzia de metros. Foi tipo corrente eléctrica desde a ponta da unha à ponta dos cabelos. Pus na cara o maior sorriso que tinha, gritei "ABEEEEEL!" como se tivesse 15 anos e com as mãos fiz um "XO" - o seu símbolo - bem alto. Ele acenou, mandou um beijo que não foi para mim, obviamente, mas foi. Quando ele o fez, a miúda histérica que há em mim e que estava a tentar vir ao de cima há já duas horas explodiu e finalmente renasceu. Ele continuava à minha frente a despedir-se de todos, mas para mim aquele adeus foi meu e eu, toda a tremer, deitei uma lágrima. Quão histérica, quão fãzinha irritante. Quão feliz!

 

 sad yes crying sadness oprah GIF

 

Ele lá foi e eu fiquei cá com mais um momento completamente inesquecível. Starboy não poderia ser uma alcunha melhor para aquele homem. A voz, nem há palavras - na música em que fechei os olhos, senti que não estaria nunca mais tão perto de algo que fizesse tanto lembrar o senhor Michael Jackson. Com um sorriso encantador, encantou alguém já encantada por ele desde a primeira música que ouviu. 

 

Depois do concerto, o meu Rapaz pedia-me "diz qualquer coisa, como é que foi?!" e eu só lhe pedia para falarmos do concerto no dia seguinte porque ainda não estava em mim. Foram precisos dois dias para ser capaz de o fazer minimamente. Acreditem, se este post vos pareceu de pita histérica, duma coisa podem ter a certeza: ao vivo foi muito pior. O meu Rapaz, apesar de ter sido levado para a confusão sem aviso prévio, não acabou comigo por isso deduzo que tenha gostado também. Eu ainda fico de sorriso rasgado só de pensar. Obrigada meu rico Abel, que a próxima não demore tanto!

 

Ser pita histérica é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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