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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

27
Abr17

O mito daquele que veio

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Considero-me uma pessoa com várias histórias muito características. Existem dois ou três mitos em torno da minha pessoa, que se tornaram grandes motivos de gargalhadas entre mim e os que me são mais próximos - quer seja família ou amigos. Desses mitos destacam-se dois: aquela vez em que, com 11 ou 12 anos, comi 6 bifes ao almoço em casa de uma das minhas melhores amigas ou a vez em que tive uma festa de anos que foi um autêntico fiasco. É deste segundo mito que vos quero falar hoje. 

 

Estávamos no dia 1 de setembro de 2006, dia do meu 11º aniversário. Desde que me lembro de ser pessoa - e mesmo antes disso, existem registos que o confirmam - que gosto de ser o centro das atenções, especialmente quando estou na minha zona de conforto, rodeada de pessoas que me conhecem. Sempre fiz """"concertos"""" e """""recitais de dança"""" para a família e amigos nas mais variadas ocasiões, ali até aos meus 7 ou 8 anos. Quando deixei de o fazer, comecei a aperaltar-me toda, a ser um pouco mais arrojada - resumindo, dar nas vistas, pelas melhores razões que me fosse possível encontrar. 

 

 

Ora, como tal, sempre adorei fazer anos. Costumo dizer que é o meu segundo dia preferido do ano, logo a seguir à noite de Consoada. Em 2006, no dia do meu 11º aniversário, tudo isto já era muito verdade e por isso foi com muita expectativa que esperei a minha festa. Lembro-me que naquele ano eu estava especialmente entusiasmada porque ia ter mais amigos do que nos outros anos - fazer anos numa altura em que ainda há muita gente fora em férias tem muitas desvantagens. 

 

A família começou a chegar e alguns amigos também, mas a hora que eu mais ansiava era o fim do dia - nos dias de hoje, o sunset (acho que fui eu que devo ter lançado essa moda) - porque ia cantar uma música dos Tribalistas. Delirei quando me ofereceram esse CD naquela tarde. 

 

Lá fui brincando e correndo, e os amigos e família continuavam a chegar... até que o impensável aconteceu: os meus pais chegam com um carro novo, lindíssimo, verde escuro, de estofos bege... E DESCAPOTÁVEL! - há 10 anos atrás, ninguém na família tinha andado em tal nave espacial e nem vamos sequer começar a falar do entusiasmo de todos os meus amiguinhos que queriam andar de cabelos ao vento. Escusado será dizer que a minha coisa ao vento... era o meu nível de confusão. 

 

Depois percebi: o carro novo era, nada mais nada menos, do que uma prenda (enorme) para o meu irmão, na altura com 23 anos. Tudo o que me lembro do resto desse dia é de ver toda a gente de volta do carro antes de me virem dar os parabéns, e isso para mim foi um ultraje. Claro que cantei Tribalistas na mesma, mas sempre de trombinhas, porque obviamente que eu é que lhes estava a dar a honra de me ouvir, mesmo depois do comportamento lastimável dos meus convidados.

 

Esta história tornou-se uma verdadeira private joke para todos os que lá estavam e aos que me foram conhecendo entretanto. Toda a gente que me conhece bem sabe que o meu irmão recebeu um carro no meu dia de anos. Depois de tirar a carta comecei a dizer que só aceitava receber um carro se me fosse dado no dia 21 de abril - dia de anos do meu irmão. "Se me derem no meu dia, em setembro, ele fica parado até abril, não quero saber!" 

 

Confesso que desde que tirei a carta, houve vários aniversários do meu irmão em que ali na semana antes tinha uma pequena pequeníssima esperança que os meus pais fizessem essa maluqueira. Mas quando chegava o dia, até acabava por me esquecer disso. Afinal, tudo isto não passava só de uma história engraçada entre nós. 

 

Na sexta-feira passada, dia 21 de abril, cheguei a casa exausta. O dia no estágio tinha sido caótico, tinha ficado presa no trânsito, mal tinha conseguido trocar uma mensagem com o meu Rapaz e o autocarro que apanhei não tinha ar condicionado. Cheguei a casa e só queria tomar banho, comer uma sopa e ir-me deitar. 

 

Ao chegar, a minha mãe pede-me para ir com ela à garagem: "O teu pai foi lá para baixo ver TV, agora está ele a ressonar para um lado e o cão a ressonar para o outro, tens que lá ir!", e sendo isto um cenário completamente provável - e que nunca perde a piada - respondi "Ai, deixa-me gravar!". E fui.

 

Abri a porta da garagem, e lá estava ele. Azul bebé, redondinho que só ele. Dois balões roxos, um em cada espelho. Dois laçarotes enormes, um na grelha e outro na antena. No vidro da frente, lia-se "Olá Marta! Sou todo teu!!!!". Ao lado dele, as minhas duas avós com cara de quem pregava a maior partida da história e o meu pai - acordado! - filmava tudo. O cão tinha mais que fazer. 

 

Durante 20 segundos fiquei quieta, sem dizer ou fazer nada, a ler e reler o cartaz do vidro - não fosse o meu cérebro pregar-me uma partida como faz aqui no blog! Ao fim desses 20 segundos gritei:

 

"E HOJE É O DIA DE ANOS DO MEU IRMÃO!!!!!"

 

Não queria acreditar. No ano em que nem sequer me lembrei de pensar nisso, aconteceu mesmo. Passou de mito a realidade. A primeira coisa que fiz? Fazer a melhor pen com a melhor playlist para ouvir no carro novo - sim, neste já posso ouvir música! A segunda? Escolher um porta-chaves para a minha primeira chave do carro - e é um porquinho!

 

Até agora, a relação está bem e recomenda-se. Adoro cada milímetro do meu bolinha - e adoro os meus pais, que são uns grandes malucos. 

 

Bolinha é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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