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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

20
Nov17

Entrar na Biblioteca Nacional pela primeira vez

Por aqui é sabido que tirei a minha licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ali bem na Cidade Universitária. Se há coisa que me arrependo na minha licenciatura foi de, principalmente no primeiro ano, me ter deixado deslumbrar pelo facto de estudar numa cidade grande. Há esplanadas, há jardins, há eventos, há pessoas... e tudo isto misturado acaba por se traduzir em "pouco tempo para as aulas". Obviamente que as coisas não deveriam funcionar propriamente assim, mas a verdade é que foi quase inevitável. 

 

Não digo que fiz a licenciatura com uma perna às costas porque se já acompanham o meu blog há pelo menos três meses sabem que andei aqui a chorar por causa de uma nota que pôs em causa o canudo. Felizmente correu tudo pelo melhor, mas é verdade que o grande grande esforço de toda a licenciatura concentrou-se nesse momento específico. Em várias alturas a minha mãe dizia-me que quando olhava para mim só se lembrava das diretas que teve que fazer durante a faculdade para acabar algum trabalho ou estudar para uma frequência. Eu? Nunca fiz nada do género. E atenção: não me estou a gabar. Estou apenas a reconhecer que, durante três anos de licenciatura, dei uns 70% de mim. 

 

Onde é que eu quero chegar com isto tudo? Ao facto de ter concluído a minha licenciatura com boas notas sem nunca ter posto um pézinho na Biblioteca Nacional - e lembrem-se que estudei três anos ao lado dela. Adoro livros e todo o imaginário que gira em torno daquele edifício sempre me chamou a atenção, mas durante a licenciatura é verdade que sempre arranjei outras formas mais cómodas de conseguir fazer algum trabalho sem ter que ir até lá. Embora considere isto uma espécie de proeza, sabia com certeza que não seria capaz de a repetir durante o mestrado. No entanto, achei que fosse lá para o ano, durante a investigação para a tese. Enganei-me: tive que lá ir a semana passada. 

 

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Acreditem ou não, estava bem nervosa. Tudo o que seja novo para mim - pessoas, circunstâncias, locais - deixa-me logo meia apreensiva, mas aqui tinha que me desenrascar porque precisava mesmo de lá ir. No caminho ainda fui tentando pensar noutras alternativas, mas não as encontrei. Teria, obrigatoriamente, de entrar naquele edifício tão mítico.

 

Quando entrei o segurança chamou-me logo porque ia lançada para a zona da biblioteca. Explicou-me que para fazer consultas tinha que ter cartão e disse-lhe prontamente que queria fazer um, começando logo a tirar da carteira os documentos de identificação. "Mas não é aqui, é lá dentro que faz o cartão!". Meia atrapalhada agradeci e comecei a seguir para o balcão indicado. "Mas não pode levar mochila, tem que a deixar ali dentro!". Espantem-se: a Biblioteca Nacional tem uma espécia de balneário. Dizerem-me que não posso levar a mochila não parece grave num primeiro impacto, mas isso acabou por resultar em mim a fazer uma figurinha incrível: entrei na sala de leitura com caixa dos óculos, estojo, telemóvel, fones, carregador do telemóvel, carteira, pasta, caderno, computador e carregador do mesmo. 

 

Depois de algumas dificuldades técnicas lá consegui fazer o meu cartão temporário e agora é que toda a experiência na Biblioteca Nacional se torna ainda mais impressionante para quem nunca tinha lá ido. Num computador que não o meu entrei com os dados do meu cartão de leitor e pesquisei pelos livros que queria consultar. Coloquei-os todos numa lista estilo carrinho de compras online e depois fiquei estilo burro a olhar para um palácio: "então e agora, o que é suposto fazer?". Por baixo dessa lista encontrei um pequeno link que dizia "marcar". Cliquei, só para ver o que acontecia e eis que me aparece um MAPA da sala de leitura. 

 

Parecia que de repente tinha ido parar ao site da Ticketline. A vermelho, os lugares já ocupados e a verde, os lugares que estavam livres. Ainda que meio insegura do que estava a fazer, marquei o meu lugar, agarrei em toda a minha tralha e lá me fui sentar. Com tudo prontinho, fui até ao balcão da sala pedir os livros que estavam na minha lista no outro computador. "Não os vem aqui buscar. Fica no seu lugar que daqui a uns minutos vão lá levar-lhe os livros que pediu." Como? WHAT?! Como assim?! A ideia agora é ficar no lugar à espera dos livros? Qual restaurante, qual quê! 

 

Ao fim de nem cinco minutos lá chegou um senhor que me trouxe tudo o que tinha pedido. Fiquei parva. Se nos restaurantes ficamos à espera que nos tragam a comida para encher a barriga, na BN ficamos à espera que nos tragam livros que nos encham de conhecimento! A melhor parte: ficamos com vergonha se não estivermos realmente a trabalhar. Foram, provavelmente, as cinco horas mais produtivas da minha vida desde que entrei para o ensino superior. 

 

Sentir-se produtiva é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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Por detrás deste blog está a Marta. Com 22 anos, saloia de gema, criou este cantinho onde vão poder encontrar tudo o que é sinónimo da sua pessoa.

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