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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

11
Abr17

Mais vale começar a cacarejar...

... e a comer saladas de milho todos os dias porque acho que não preciso de mais provas para saber que vou ser uma mãe galinha. Independentemente do tempo que falte para ter filhos acho que não há nada que possa ser feito para evitar esse facto. É melhor só aceitá-lo sem fazer grande chinfrim. 

 

Sou uma pessoa um pouco stressada, mas apenas com coisas que acho mesmo importantes. Se me perguntarem se vou para a faculdade a pensar na cama que ficou por fazer, não vou. Mas no que toca a prazos, trabalhos e coisas do géneros consigo ser a mestre do stress - às vezes tendo mesmo tudo controlado. Tudo isto acontece também quando se trata de algo relacionado com as minhas pessoas importantes. 

 

 

Se a minha mãe está menos faladora - estando mais cansada, com as dores de costas a serem difíceis de suportar - fico logo preocupada. Sou capaz de perguntar umas dez vezes o que se passa, e mesmo que ela me diga que está só cansada, vou sempre insistindo. Insistindo e intervalando isso com chamar-lhe "macambúzia" para a fazer rir. Se a minha mãe me liga a horas que ela sabe que eu não posso atender, fico em pânico porque acho sempre que foi algo com a minha avó. 100% das vezes é a minha mãe a enganar-se a mexer no seu smartphone novo. 

 

Isto é prática normal para qualquer amigo, mas sobretudo para todos os membros da família. E depois, temos o meu Rapaz. O meu Rapaz trata-me como uma princesa. Está sempre preocupado comigo e quer sempre que eu me sinta bem, em todas as situações. Às vezes fico meia apavalhada a olhar para ele e a perguntar-me "mas como é que lidas tão bem com estas minhas coisas?". Não tendo ainda arranjado uma resposta para essa pergunta, a verdade é que ele lá vai aturando - e muito bem! 

Naturalmente, esta preocupação é recíproca. Quando começámos a namorar fizemos o acordo de que eu me preocupava com ele e ele comigo. Tem sido isso que temos feito sempre, e é das coisas que mais prezo na nossa relação. 

Ora, o meu Rapaz foi a semana passada fazer uma viagem de trabalho. Como tal - e contendo a minha vontade de estar em permanente contacto com ele - falei-lhe das mensagens obrigatórias e facultativas. Esta foi uma ótima estratégia que arranjei para lidar com a distância, sem invadir o seu espaço ou ocupar demasiado tempo do seu dia enquanto estivesse fora. Acho que assim ficaríamos os dois felizes e eu, claro, mais calma. 

 

A mensagem obrigatória era de manhã. Até lhe disse que momento ele poderia usar para me mandar essa mensagem: o pequeno-almoço. Sendo algo que ele iria fazer todos os dias, que demora sempre mais do que os dez segundos que demora a mandar uma mensagem, iria haver sempre tempo. Deste lado, eu acordava sempre com uma mensagem dele, sabendo logo que estava tudo bem. As facultativas, eram ao longo do dia. Umas vezes deu para ele mandar, outras não. Mas a obrigatória estava sempre lá para me acalmar. Menos hoje. 

 

Hoje era o dia em que ele arrancava para voltar a casa. De autocarro. Quase 20 horas. Tudo o que sejam mais que três horas na estrada já me deixa ansiosa que chegue, quanto mais 20. Depois temos os motoristas: numa  viagem de hora e meia até Lisboa, hoje - logo hoje! - tinha que me calhar um motorista que parecia que nos queria matar. Obviamente que só pensava naquela viagem e naquelas curvas e contra-curvas vezes vinte. 

 

Entre as 8h e as 10h da manhã, lá recebia a mensagem, sempre linda e sempre a dizer que estava tudo bem. Hoje eram 11h da manhã, 15h da tarde, 17h da tarde e... NADA! Eu sabia que ele ia arrancar de manhã, portanto estão a imaginar o pontapé que eu levei da minha ansiedade. Na minha cabeça só refilava. Repetia ironicamente que hoje, logo hoje "não lhe deve ter apetecido tomar pequeno almoço!" entre outras coisas do género. Claro que tentava pensar no "as más notícias correm depressa" mas isso na prática é muito mais complicado. Tinham passado 25 horas desde a última mensagem que eu tinha recebido dele. 

Às 17h45, quase a fazer 26 horas sem notícias, recebo esta mensagem:

 

"Bom dia amor! Já estou a caminho, a chegar a Madrid. Não consegui vir à net mais cedo mas está tudo bem!"

 

Até tive que me sentar. Sentei-me, respirei fundo, abanei a cabeça e acho que cheguei mesmo a dizer para o telemóvel "mas tu não me conheces?!". E agora? Amuos? Caps lock? Mensagem sem emojis? Qual quê.

 

"Nunca mais me faças uma destas. Amo-te muito e aproveita para descansar!"

 

Exato. Depois de um dia com um nó no estômago, esta foi a única resposta que senti que lhe poderia dar. Sem refilar e com muitos emojis, porque enquanto escrevia esqueci-me das parvoíces em que tinha pensado durante o dia, dos filmes que fiz na cabeça e aproveitei o aívio que senti ao saber que ele estava bem. Também, quem quer ouvir refilar assim que está prestes a chegar a casa? Ninguém, e eu já perdi a vontade de o fazer. Agora só quero dar abracinhos.

 

Namorada galinha é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

 

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