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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

31
Mai17

Medos inexplicáveis

Há uma coisa de que tenho muita pena: ter passado grande parte da minha infância com medo de cães. Não sei porquê, nunca apanhei nenhum susto com animal algum - mais depressa apanhei com aquele lagarto que vos falei há uns posts atrás. Não sei porquê, mas tinha pânico. A minha avó sempre teve cães, sempre me lembro de os ver, mas estavam a uma distância segura e por isso sabia lidar com o medo. 

 

No entanto, os meus pais sempre acharam este meu medo completamente irracional que ainda por cima, para uma miúda, acabava por ser muito chato. Se brincava num parque, se passeava na rua, na praia... e aparecesse um cão fofinho, eu via um godzilla. Para ver se isto passava os meus pais ofereceram-me a minha primeira cadelinha, a Tucha. 

 

 

Eu deveria ter uns 7 ou 8 anos quando ela chegou lá a casa. Lembro-me que a fui buscar num dia de calor e estar a tremer. Ia com a minha mãe e com o meu irmão no carro e lembro-me de eles gozarem comigo a dizerem-me que estava a tremer de nervos e não de frio porque tal era impossível naquele dia. 

 

Fomos buscá-la e era ainda mal conseguia dar três passinhos seguidos. Era a coisa mais fofa do mundo, mas ainda assim lembro-me de ter que fazer um esforço maior que eu para conseguir estar com ela ao colo ou sentir-me confortável a andar por casa sabendo que ela estava solta. Hoje, é das coisas que mais tenho pena, o não ter aproveitado a fase mais fofinha e mais mimosa da minha primeira cadelinha. No entanto, felizmente, o plano dos meus pais resultou e fui-me sentindo cada vez mais à vontade com os amigos de quatro patas. 

 

Hoje em dia, o meu problema é não trazer todos os cães que vejo para casa. Um dos meus sonhos é ter um pequenino quando tiver a minha casa. Visto que vivo numa vivenda com os meus pais, temos um labrador lindo e gigantesco que arrezoira tudo lá em casa só de dar à cauda. É mesmo o nosso melhor amigo e chegar a casa fica muito divertido graças a ele. 

 

Ora, neste post, contei-vos dos dois caminhos que tenho para casa: o caminho dos carros e o caminho das cabras. O segundo é o meu preferido já há algum tempo, enquanto o primeiro só era usado por mim se não tivesse outra hipótese. No mesmo post contei-vos do meu encontro traumático com uma piton. Como devem imaginar, nos dias seguintes tive que me obrigar a ir para casa pelo caminho dos carros. 

 

Quase todos os meus vizinhos que moram ao longo do caminho dos carros têm cães na rua. Na sua maioria, são simpáticos... mas há um que é parvo todos os dias. É um cão pequeno, mas que nunca pára de refilar. Mete-se em frente de todos os carros e às vezes deita-se no meio do caminho e temos que ficar ali a ameaçar que vamos avançar ou a apitar feitos loucos para que sua excelência se digne a sair. Quando o meu pai vai com o Mike à rua - o nosso cão - ele atira-se ao focinho do meu, feito revoltado. O meu, parvalhão, nunca diz nada. Um paz d'alma que até irrita.

 

Acontece que o parvo do cãozito deve saber que tenho um blog então toca de fazer das suas para ter o protagonismo de aqui aparecer. No segundo dia em que me obrigo a ir pelo caminho dos carros - não fosse a piton estar no mesmo sítio do nosso encontro -  e eu passo à casa do dito, lá vem ele, completamente tresloucado, como se eu fosse um traficante e ele um cão da PJ. Ladrou, ladrou, ladrou e eu... nada. Já é normal, é só passar o território dele que ele já se cala. 

 

Até que o impensável aconteceu: o raio do cãe vai com a boca ao meu tornozelo! E ainda me apanha com aqueles dentinhos afiados! Eu é que desviei a perna a tempo, mas ainda fiquei esfolada. Nada demais, claro, mas esperava tudo menos aquele comportamente. Eu solto um "PORRA!" e a dona dele, que assistiu a tudo, diz-me muito calmamente "calma Marta, ele não faz mal!" 

  parks and recreation excuse me donna GIF

 

Foi a minha cara. Quer dizer, o cão acaba de me tentar morder e lá porque é um caga-tacos já não faz mal? Se tivesse sido o meu, com os seus 30 quilos, já estava tudo aos gritos. 

 

Conclusão: fiquei lixada. Agora tinha medo de ir pelo caminho das cabras e pelo caminho dos carros. Nos últimos dias ainda consegui umas boleias, assim como não quer a coisa, mas hoje tive que ir a pé. Tal como faço todos os dias, saí de casa dez minutos antes da hora de autocarro, tempo suficiente para chegar à paragem. Ora, qual não é o meu espanto quando abro a porta de casa e está lá o cão, o parvo que me tentou morder, parado a olhar para mim com um amiguinho de ar mais ameaçador que ele. 

A minha reação:

 

 movies angry johnny depp dark shadows eva green GIF

 

Ali fiquei eu. Com poucos minutos para chegar ao autocarro e a pensar como é que iria sair de casa. Eu já não tenho medo de cães, aliás, eu adoro cães. Do fundo do coração, eu adoro-os. Só que aquele tentou-me morder e agora trouxe um amigo para me fazer uma espera à porta de casa. Vá lá, tive sorte que arranjei boleia, senão acho que iria ficar ali do lado de dentro da porta à espera que eles se cansassem. 

 

Não saber como chegar a casa é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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