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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

27
Jun17

Nudismo e xixis alheios

Estamos a dia 27 de junho, o que quer dizer que faltam quatro dias para o final do mês - aposto que não se tinham ainda apercebido desta informação dramática. Ficam assim a faltar quatro dias para começar a fazer a contagem decrescente para o meu aniversário, mas nem sequer vou começar a falar disso senão este post para além de ainda maior que os do costume, não vai dizer nada de jeito. 

 

Este mês está a ser verdadeiramente estranho porque teve momentos mesmo, mesmo, MESMO bons... mas também coisas muito muito más. Às vezes podia ter coisas boas e más, como tudo na vida, mas numa escala que fosse mais equilibrada. Este junho, não. Este junho teve o oito e o oitenta. 

 

 

Disse que ia treinar quase todos os dias, foi mentira. Disse que ia acabar de ler Guerra dos Tronos - embora ainda acredite que o termine até sexta-feira -, foi mentira. Achei que ia passar a todas as cadeiras, foi mentira. Já para não falar do incêndio de Pedrógão Grande que mexeu especialmente comigo. Visto assim, junho foi mesmo um mês para esquecer. 

 

No entanto, foi um mês em que confirmei que tenho trabalho para o verão. Foi o mês em que fiz a minha primeira compra na Feira do Livro de Lisboa. Foi também o mês em que passei tempo de qualidade com os meus amigos, a ter experiências novas e a experimentar novos sítios. Consegui fazer uns dias de praia que não foram especialmente insuportáveis, que deram ao mesmo tempo para passar tempo de qualidade com o meu Rapaz. Ainda assim, o mês terminou com a melhor notícia de todas, mas para saber isso ainda vão ter que esperar mais uns dias porque merece um anúncio em condições!

 

Já perdi o fio à meada. Isto tudo para dizer que junho tem sido como um treino intensivo no ginásio: está a doer, está a custar, só queremos que acabe... mas há sempre qualquer coisa que, mesmo assim, nos faz sorrir e sentir bem. Curiosamente, foi também um mês em que aprendi muita coisa por ter passado grande parte dele a observar os outros, sobretudo na praia. Uma das lições que aprendi nestes dias de praia que fiz e que vou levar para o resto da vida, foi que quando tiver filhos eles jamais andarão todos nus na praia. 

 

Nunca me tinha apercebido, mas esta é uma prática muito comum nos pais portugueses. No meio do barulho ouvi uns pais - cujo pequeno rebento estava neste momento a tirar, muito delicadamente, grãozinhos de areia do dito cujo - fazerem pouco de um bebé britânico que ia para a água com um fato completo. Naquela altura quem se riu fui eu. Não sei se pelo filho deles que, quase a fazer o pino continuava na sua missão de se limpar, ou se do ridículo daquele gozo gratuíto. 

 

Eu não percebo nada de puericultura. Adoro crianças, quero ter uma catrefada delas, mas faz-me confusão como é que se pode achar que um bebé - que se senta na areia, que anda a rebolar, que cai na areia seca e molhada - pode, eventualmente, sentir-se confortável estando todo nu. Eu, que sou adulta, quando tenho areia dentro do fato de banho até começo a ficar mal disposta, quanto mais uma criança pequena que não entende o porquê de ter as virilhas a arder. 

 

Se estivermos a falar das meninas, acho igualmente desnecessário o biquíni. Quando eu era pequena tive um biquíni. Obviamente que tios e amigos da família, para se meterem comigo perguntavam porque é que eu tinha parte de cima vestida. Lembro-me como se fosse hoje de me fazerem essa pergunta e de ser dos momentos mais embaraçosos da minha vida. Claro que na cabeça da Marta de 4 anos era impensável responder "para tapar as mamas". Só de pensar nessa frase começava a corar, então respondia baixinho "porque a mãe comprou". Acho que foi o primeiro momento da minha vida em que me senti ansiosa, no entanto - e porque sempre gostei de me contradizer - eu queria e gostava de usar biquíni. Hoje, quando olho à volta na praia e vejo meninas que, em vez que andarem a correr e a mergulhar, estão com cuidado para ajeitarem a parte de cima do biquíni penso que será menos uma peça de roupa para comprar às minhas filhas, pelo menos, até aos oito. 

 

Para além disto, há outra questão que me chocou quando se fala de pais e fillhos. Acho que esta não tem tanto a ver com nudez, porque mesmo que se tenha um filho vestido, a falta de noção dos pais pode entrar em ação na mesma. 

 

Ora, estava eu muito bem a molhar a ponta da unha na água gelada duma das praias aqui dos arredores quando olho para o lado e vejo uma mãe de mão dada com o pequeno rebento, que por acaso estava nu e cheio de areia. Lá revirei os olhos e continuei a ollhar para o mar. Nisto, sinto a água a ficar um nadinha mais quente. Olho para o lado e estava a mãe a segurar na pilinha do menino que muito alegremente fazia o seu xixi ali, à beira mar. As pessoas tinham que se desviar, só para terem noção do quão à beira mar vos falo. 

 

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Com tudo isto quero dizer que, obviamente, cada um sabe muito melhor que eu o melhor para os seus filhos. Se ao contrário de mim, têm um bebé que não se passa da cabeça por causa da areia no corpo, mas por outro lado refila para vestir um fato de banho ou umas cuecas, deixem lá o miúdo andar como veio ao mundo. Se a mim me arrepia vê-los com areia em sítio onde tal nunca deveria estar? Arrepia, e muito... mas isso sou eu, que não percebo nada disto. 

 

Junho foi um mês de oitos e oitentas, mas pelos vistos, a maravilha de se estar vivo é estar-se sempre aprender. Mesmo que seja para aprender sobre a indumentária dos futuros rebentos. 

 

Não gostar de areia é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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