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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

07
Ago17

O dia em que abanei o shaker

Lembram-se de no fim de semana passado vocês nem terem dormido bem pela ausência que houve aqui no blog?? Eu sei, desde já as minhas mais sinceras desculpas porque eu também tive imensas saudades vossas e deste meu cantinho, mas acreditei que, tecnicamente, a trabalhar em mais um post para o blog. 

 

Não, não estive em clausura a ver um série para vos falar aqui, nem a tentar terminar um livro novo para vos aconselhar. Estava, na realidade, a ajudar numa festa da terra. Não da minha, mas da do meu Rapaz e por muito que isso me deixe até um pouco envergonhada, foi a primeira vez que fiz algo do género. Aqui, falo sobretudo de estar a trabalhar num bar, mas não num bar qualquer: um bar estilo "tenda jovem", como se chama por estes lados nestas festas, a bombá-las até de manhã e onde se vende - e consequentemente, se faz - muito mais do que simples imperiais. 

 

 

Eu estava para lá de nervosa nos primeiros dias. Ao todo, contando com os dias que tivemos que ir para lá para montar tudo o que precisávamos, foram 5 ou 6 dias de várias horas de trabalho. Isto das festas é tudo muito giro e muito divertido, mas nas manhas seguintes a termos ficado até tarde a limpar chão, loiça, acartar mesas e cadeiras e mais umas quantas tarefas... andava que nem podia. Andávamos todos porque, felizmente, toda a gente tinha trabalhos nos dias seguintes. Com todo o sono que resultou dessas preparações durante o pré-festa, lá tínhamos tudo pronto para ser a melhor discó que aquela terra já viu. 

 

Visto que esta foi uma experiência totalmente nova para mim, até serviu para aprender algumas coisas sobre a minha pessoa: uma delas é que se esta história dos museus não resultar, o blog também não, nem a agricultura/vinicultura... vou abrir um bar. Aquilo dá muito trabalho, mas é giro que se farta - então se tiveres sido tu a escolher a playlist que vai estar a bombar nas colunas até de manhã, ainda melhor! Outra das coisas que aprendi a meu respeito graças a esta experiência foi: se esta história dos museus não resultar, o blog também não, nem a agricultura/vinicultura... estou lixada porque não vou poder abrir um bar pelo simples facto da minha ansiedade não saber lidar com isso. 

 

Bem, eu poder abrir um bar até posso, mas sou daquelas que trabalha num escritório, talvez a tratar da publicidade e do marketing, porque atrás do balcão, por muito que seja divertido, no primeiro dia sobretudo o meu coração estava prestes a dar de si. Há umas semanas houve festa na minha terra e na tenda dos almoços, no domingo depois da missa, com todas as mesas cheias, reparei que uma das senhoras que estava a servir se tinha posto atrás do balcão sentada numa cadeira a chorar. Na altura achei aquilo completamente descabido. Apesar de não ter chorado - haja um dia Marta! - os meus nervos estavam em franja. 

 

O que me meteu realmente nervosa foram duas coisas: as crianças e os adultos. As crianças foram, de uma maneira geral, mal educadas. Nos momentos em que eu ficava sozinha naquele balcão - logo eu, que nem sequer sou da terra - os miúdos tentava passar para o lado de cá do balcão, pediam as coisas sem modos alguns e, ainda por cima, tentavam fazer um choradinho de que eu os estava a enganar no troco. Nestes casos, houve mesmo momentos em que comecei a duvidar das minhas capacidades matemáticas - que não são boas, confesso -, mas quando via o resto do grupinho lá atrás a rir-se para ver se o amigo me conseguia enganar, percebia logo que estava certa. Obviamente que falo de um grupo de meia dúzia que aproveitava a "estrangeira" que não conhecem de lado nenhum e que não conhece os pais deles para tentar fazer das suas. Ficava azul porque queria era mandar-lhes dois berros, mas não podia. 

 

Os adultos, mais propriamente os homens, são outra das razões pelas quais eu acho que não me daria bem a servir ao balcão num bar. Se há assedio num autocarro da carris ou quando passamos numa obra, no escuro dum bar já com muitos copos à mistura, ainda maior é esse assédio. Estando a servir - e aprendendo com os amigos e com o meu Rapaz, que estavam a trabalhar comigo - sabia que há que ser simpática, mais que não seja para ver se a malta fica e bebe mais um copo. Ora, o homem bêbado acha sempre que uma rapariga simpática é sinónimo - não de Carmezim -, mas de "à vontadinha". A minha maneira de dar a volta à coisa é sempre a mesma: quando me perguntam o nome, respondo sempre que me chamo "Cátia Vánessa". 

 

De todas as vezes que digo isto, eles riem-se e percebem que esse não é o meu nome e que eu simplesmente não lhes quero dizer quem sou. Se abrirem um bocadinho mais os olhos vidrados vão-se também aperceber de outro pormenor importante: o meu Rapaz está, geralmente, sempre ao meu lado. Desta vez, foi a única que foi diferente. Desta vez vi, pela primeira vez, o rapaz sacar o mais rápido possível do telemóvel e registar "Cátia Vánessa" nas notas do telemóvel. Despediu-se de mim dizendo "amanhã vais acordar com uma mensagem minha no Facebook." Com isto, aproveito já para pedir desculpa a alguma Cátia Vánessa por esse mundo fora que possa ter acordado com um "oi" de um gajo qualquer. 

 

Tirando estas situações que me deixaram de nervos em franja, foram muitas mais as que me fizeram bem e me fizeram rir. Descobri que, se calhar, sou mais desenrascada do que pensava. Se no primeiro dia pedia ajuda para tudo, para ter a certeza que não fazia asneira, no segundo já está completamente no espírito da coisa. Já cortava, picava, misturava, servia, fazia trocos e às vezes até conseguia dançar enquanto fazia tudo isso. A melhor parte? Para além da sensação maravilhosa de abanar um shaker que nem uma verdadeira barmaid, descobri que sou especialista em fazer Porcas, o maior sucesso daquele bar. O que é isso? Vão ter que ir à festa no próximo ano para saberem!

 

 dog alcohol booze martini bartender GIF

 

Já passou uma semana desde o último dia da festa e acho que ainda estou a tentar recuperar horas de sono desse fim de semana. Na segunda noite de festa vinha no carro para casa depois de fecharmos a discó e ouvi o meu despertador. "Não acredito que estás acordada há 24 horas", pensei eu. Acho que não fazia isso há uns dez anos. Foi cansativo e é chato se pensarmos que só conseguimos todos dançar uma modinha esticó-braço na última noite, mas todo esse cansaço foi claramente compensado pelos bons momentos. Ri tanto que vocês nem fazem ideia. Até acho que fiquei de abdominal mais definido. 

 

Ser barmaid é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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