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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

14
Set17

Sem Spoilers #14 | Imperium

Para aqueles que ainda não sabem - não creio que tenha anunciado ao mundo - a minha vida mudou para melhor, muito melhor, nas últimas semanas porque comecei a usar Netflix. A oportunidade estava ali, mesmo à minha frente, e eu simplesmente não fui capaz e dizer que não. Se calhar esta não é melhor altura para me meter numa coisa destas visto que agora há que também começar a concertrar-me nas aulas... mas não deu. Teve que ser e sabe tão bem!

 

Dantes, quando a minha mãe me via durante demasiado tempo no computador ou na televisão a ver filmes ou séries costumava chamar-me a atenção para ir fazer algo de mais produtivo e eu não tinha grande justificação porque, ao fim ao cabo, ela tinha razão. Agora, se ela me chama a atenção posso dizer que estou a trabalhar e a juntar conteúdo para o blog, graças ao Sem Spoilers. Associando esta justificação perfeita ao facto de agora usar a aplicação da Nettflix surgiu a oportunidade de ver um filme do ano passado que me suscitou logo curiosidade na altura do seu lançamento: Imperium de Daniel Ragussis. 

 

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Obviamente que uma das coisas que me suscitou maior curiosidade relativamente a este filme foi o facto de ser protagozinado pelo nosso querido amigo Harry Potter, também conhecido como Daniel Radcliff. Acho que nunca tinha visto o ator a fazer outro papel que não fosse o feiticeiro mais famoso do mundo e portanto foi com muito interesse que vi, na altura em que saiu, o trailer deste filme de ação. 

 

Outra das razões pelas quais eu procurei tanto uma oportunidade para ver este filme foi a trama em si: este filme acompanha um recém colocado agente do FBI que é escolhido para se infliltrar num grupo americano de Neonazis. Por, felizmente, a palavra "nazi" fazer parte duma realidade tão distante da minha geração, o termo "neonazi" sempre foi algo que me deixou intrigada porque não é concebível que pessoas nascidas e criadas em países evoluídos, como os Estados Unidos neste caso, possam sequer repetir ideais característicos de uma época tão negra da Humanidade. 

 

O filme tem cenas muito perturbadores. Não que mostre demasiada violência no que toca a pancadaria, mas é um daqueles filmes em que vemos cada cena com um permanente franzir de testa como quem tenta, de alguma forma, entender o mínimo do que se está a dizer e a passar. Os argumentos que se vão ouvindo para justificar crenças irracionais, as conversas de ódio, os encontros demoníacos com cruzes e suásticas em chamas, as reuniões do KKK que terminam sempre com uma foto de grupo em que as poses de dividem em braços direitos esticados ou um "fixe" - como se uma coisa fosso tão banal quanto a outra - ... tudo naquele filme é errado. 

 

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O racismo é algo que me chegou mesmo a incomodar. Deduzo que, conseguindo isso, quer dizer que as cenas estão bem conseguidas. Não sou ingénua ao ponto de achar que não existe racismo no meu país, mas sempre tive a ideia que o racismo nos Estados Unidos é, como costumo dizer, um outro nível. Neste filme, embora as cenas de claro racismo não apareçam em abundância, acaba por ser um dos pontos centrais e mais bem conseguidos da narrativa. 

 

Algo curioso: quando penso em grupos neonazis penso em cabeças rapadas, suásticas exibidas com orgulho no braço branco que contrastam com o negro do colete e t-shirts decoradas com mensagens odiosas. Este filme tenta mostrar que pessoas como eu podem ser alta e estupidamente preoconceituosas. 

 

No filme, as personagens que assim se apresentam e que mais rapidamente causam voltas na barriga ao espectador são também aquelas que, mesmo assim, se revelam menos maquievélicas. Muitas delas não passam de miúdos revoltados que usam a cabeça rapada e o braço esticado como mecanismo de defesa, por serem ou tão grandes ou tão pequenos que precisam de se agarrar a ideais contra-natura. Não vos conto mais sobre este aspeto do filme porque senão irei estar a dar o maior spoiler de todos, indo assim contra o próprio nome da minha rúbrica. Posso apenas dizer que me surpreendeu e que me deixou especialmente revoltada.

 

É daqueles filmes que devem ser vistos como quem observa outra raça que não a humana, que não compreende mas que sabe ser necessário conhecer, mais que não seja para ver o que é errado. Muitos dizem que nada no mundo é assim tão preto no branco, mas neste caso não sei como é que algum ser pensante pode achar que o que vemos representado no filme é, em algum sítio do Universo, branco quando não existe nada mais negro. 

 

É um filme difícil de digerir e onde os atores fazem um trabalho muito bom precisamente para conseguir criar estes sentimentos em quem vê o filme. O protagonista está também muito bem, sobretudo porque acaba por continuar a fazer aquele papel de cromo, sendo que aqui tem um QI elevadíssimo e isso fica evidênte em muitas cenas. Não é um filme genial, mas não deixa de ser interessante. Aconselho, mas no final do filme, para aligeirar o mood tive que pôr o primeiro Shrek a dar. 

 

8/10

 

Bons filmes são (Sinónimo de) Carmezim.

Marta. 

A Marta

Sinonimo de Carmezim

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