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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

13
Fev17

Sem Spoilers #3 - Jackie

1963, Dallas. John F. Kennedy, então presidente dos Estados Unidos da América, é baleado na cabeça e morre nos braços da primeira-dama, Jacqueline Kennedy.

 

É com neste cenário que começa "Jackie" - logo aí a surpreender-me. Depois de tantos filmes sobre o assassinato de JFK, pensei que "Jackie" se fosse focar sobretudo na relação conturbada do casal Kennedy, dado que este casal - tão próximo de ser olhado como a aristocracia que os Estados Unidos nunca tiveram - estiveram sempre sob o olhar atento do mundo inteiro. No entanto, "Jackie" faz um retrato da primeira-dama durante a semana que se seguiu ao assassinato do marido. Este retrato - soberbamente interpretado por Natalie Portman - vai deixando de ser apenar o retrato da mulher magoada, fazendo o seu luto, para passar a adquirir alguns contornos políticos - que quando se aliam às cenas em que vemos Jacqueline no papel de mãe - mostram uma mulher forte aos olhos dos outros. 

 

No entanto, essa força parece evaporar com o fumo dos inúmeros cigarros que fuma na solidão da sua intimidade. Tirando as cenas passadas no quarto dos filhos, são poucos os momentos em que vemos Jackie acompanhada quando esta se encontra na Casa Branca. 

Pablo Larrín fez um trabalho brilhante na fotografia do filme - que faz até questionar como é que não está nomeado para esse Óscar. Os longos corredores da casa mais famosa do mundo contrastam com a figura fragilizada de Jackie e isso faz com que o espectador tenha, por imensas vezes, vontade de ir a correr abraçá-la e dizer-lhe que - por razões melhores ou piores - o mundo iria lembrar-se do seu marido. 

 

Durante pouco mais de hora e meia, a história contada em três momentos - o do assassinato, uma entrevista e uma conversa com um padre - tem como tema central a vontade - quase obsessiva, até - que Jacqueline tinha de dar um grandioso funeral ao marido, para que este fosse lembrado como Abraham Lincoln. Provavelmente, o seu medo era que a Era Kennedy ficasse resumida em três palavras: mísseis, Fidel e Monroe. Por essa razão - e não pude deixar de fazer a associação com o papel que Portman interpretou em "Black Swan" - há uma enorme tentativa de alcançar a perfeição e uma frustação tão humana quando Jacqueline se apercebe que isso, talvez, não seja mesmo possível. No entanto, até ao momento em que JFK foi enterrado, a sua mulher lutou para que a sua memória fosse mais digna do que ele próprio teria imaginado.

 

Todos nós sabemos algo sobre esta época da história e sobre o casal Kennedy. Por essa razão, o único ponto que me deixou confusa foi a tentativa de retratar o casal como unido, quase perfeito, quando todos sabemos que não foi assim. Talvez seja por isso que vemos uma Jackie que vai quebrando, aos poucos, ao longo do filme, ao perceber que a vida tão neutra, tão no limbo, que viveu ao lado do marido, não teria qualquer momento de redemption.

 

"Jackie" merece estar nomeado para os três Óscars para que está indicado - melhor atriz, melhor guarda-roupa (aquele vestido rosa manchado de sangue que a acompanha em quase metade do filme, simplesmente maravilhoso e terrível) e melhor banda-sonora (tão soberba quanto as emoções que Portman nos mostra). 

Para as mesmas categorias ainda só vi "La La Land" e apesar de ter também adorado, dava os três prémios a "Jackie" e a Natalie Portman - principalmente, a Natalie Portman. Sublime, arrepiante e cativante, é assim que vemos a atriz. Quiçá, um dos seus melhores papéis até agora que, na minha opinão, dá 10 (vá, não são 15) a zero a Emma Stone. 

 

Vejam. Façam esse favor a vocês próprios.

 

9.5/10

 

Cinema é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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A Marta

Sinonimo de Carmezim

@mcarmeziim

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