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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

20
Abr17

Sem Spoilers #7 | 13 Reasons Why

Há mais ou menos uma semana atrás comecei - e terminei, porque as 24 horas de sábado chegaram para as 13 horas de série - a ver o mais recente sucesso da Netflix: 13 Reasons Why. E não, ainda não percebi muito bem o nome da série em português. Basicamente desde que a Netflix apareceu que me tornei daquelas fãs instantâneas. Não sei o que têm as séries desta plataforma, mas todas as que vi, rapidamente entraram para a já extensa lista de séries do coração.

 

A melhor até agora, que entrou não só para essa lista como para o meu TOP5 de todos os tempos, foi Narcos. Das melhores séries que já vi em toda a minha vida, em todos os aspetos: a trama, os atores, a língua e até a banda sonora! Todos os dias fico com pena de não ter tempo para rever a história de Pablo Escobar. 

 

 

Desta vez, foi com curiosidade que fui começando a ver aparecer várias referências a esta nova série, 13 Reasons Why. Depois, comecei a perceber que essas referências, que iam aparecendo aqui e ali, estavam realmente a tornar-se num hype a fazer lembrar outro sucesso da plataforma, Orange Is The New Black. No que toca a séries, não tenho problema nenhum em ir atrás de modas e por isso, comecei a seguir os gritos de histerismo e comecei a ver. 

 

Desengane-se quem olha apenas para as publicidades e pensa automaticamente que se trata de mais um simples drama de adolescentes. Sendo-o, não é... percebem? Não? Eu explico. 

 

13 Reasons Why é um drama de adolescentes, mas não é daqueles de "rapaz conhece rapariga - rapariga e rapaz apaixonam-se - rapaz trai rapariga com a melhor amiga dela - drama1 - drama2 - drama3 - ficam juntos para sempre". Tal como a Netflix já nos habituou, 13 Reason Why é uma série que tem o objetivo de fazer o público pensar. Pensar enquanto vê, mas especialmente, quando se acaba de ver o último episódio. É perturbador e assustador, especialmente para alguém da minha idade, que consegue rever várias pessoas e várias situações ali representadas. 

 

Acho que não é spoiler se vos disser que esta série de 13 episódios gira em torno do tema do suicídio e mostra como as mais pequenas situações, por mais pequenas que nos parecem, podem ser autênticos gritos aos ouvidos da vítima. Tem havido até alguma controvérsia quanto a isto, acusando a série de mostrar que o suicídio é algo legítimo, algo justificável, por razões que à primeira vista podem não parecer assim tão más. É verdade que existem situações ali representadas que qualquer rapariga passou ou esteve sujeita a passar, mas também é verdade que quando não se consegue tomar as rédeas da vida, pedir ajuda no momento certo, as coisas podem escalar de uma forma sem precedentes. 

 

Para mim, este foi o ponto mais forte da série: a chamada de atenção para O momento certo em que é preciso pedir ajuda e os sinais que as vítimas vão dando, mas que na maioria das vezes passam ao lado da maior parte das pessoas. Foi uma série que me deixou muito angustiada, porque quando vos digo tudo isto, acreditem que falo contra mim. Infelizmente, já me deparei com algumas sitações de risco ao longo da vida e só me apercebi do que se passava em momentos extremos. É realmente triste pensar que existem tantas pessoas a sofrer em silêncio, e 13 Reasons Why mostra isso na perfeição.

 

Centrando-se sobretudo nas personagens adolescentes e na forma como todos eles conseguem ser crueis ou injustos, 13 Reasons Why não deixa que existam personagens planos porque nenhum adolescente o é. Ao longo dos episódios vamos vendo também os problemas e os medos daqueles que à primeira vista nos parecem apenas os bullies. O que a série acaba por ter de verdadeiramente apaixonante é o facto de conseguirmos sempre, de alguma forma, ter alguma empatia com (quase) todos os persoagens porque todos eles ali estão por uma razão. 

 

Outro aspeto - mas este, mais conceptual - de que gostei particularmente foi a divisão em capítulos que, não estando encerrados neles próprios, abriam portas para mais um tema, mais uma personagem e consequentemente, mais um ponto de vista. Ainda mais interessante é o facto da vítima, que morre antes da própria série começar, nunca está morta. Em todos os momentos temos acesso aos seus pensamentos, à sua voz, àquilo que sentiu no momento em que determinada situação aconteceu. Torna a série mais pesada, sim. Mas também a torna muito mais real. 

 

Aconselho vivamente a seguirem o hype, porque este é mais um caso em que a Netflix, todos os atores e até o realizador - o mesmo de O Caso Spotlight - estão de parabéns. Não sei se haverá segunda temporada, mas espero que sim, porque aquelas pontas soltas no último episódio até dão urticária. 

 

P.S - lembram-se do livro de Sartre de que andava à procura? Pois, já sei porque é que eu não o encontrava. Porque não era do Sartre, mas sim Sade, mais propriamente do Marquês de Sade. Chama-se Os 120 Dias de Sodoma. Mistério desvendado!

 

10/10

 

Boas séries são (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

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A Marta

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