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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

12
Set17

Uma questão de hábito... certo?

Passaram agora cerca de 24 horas desde o último post em que vos falei do quão nervosa estava para o meu primeiro dia no mestrado. Os nervos mantiveram-se praticamente até à hora de entrar na sala. Continuaram quando me meti no autocarro depois do trabalho e dei por mim presa no trânsito, já a ver que ia ser a única a chegar atrasada. Depois, os nervos puseram-se a transpirar quando lá cheguei porque, em primeiro lugar, a sala era no sexto andar - e fui a pé, só por si um exercício - e quando lá cheguei não havia meio de encontrar a sala.

 

Havia meia dúzia de portas duplas, todas fechadas, que eu tive medo de abrir porque parecia que estavam ligadas ao alarme. Imaginam a barraca que seria eu disparar os alarmes de uma faculdade no meu primeiro dia? Pois, não era nada agradável. Para evitar situações embaraçosas fiquei ali de plantão ao cimo da escada, a fazer um daqueles scrolls em que não vemos nada em concreto, até ver alguém chegar. Nisto, faltavam 10 minutos para a aula e eu ainda sem saber onde estava.

 

Por sorte chegou uma senhora que, com a maior das naturalidades, abriu uma dessas portas duplas. Entrei logo atrás dela para encontrar a minha sala e eis que esta me apareceu prontamente à frente. Pude respirar de alívio durante algum tempo, até porque rapidamente encontrei uma colega que entrou comigo na sala. Seguiram-se aqueles silêncios constrangedores em que estávamos ali as três à espera do resto da turma. Falamos o suficiente, o porquê de estarmos ali, quais as nossas perspetivas... o clássico.

 

Começaram a entrar os restantes colegas e algo que me saltou à vista foi a variedade de idades que estavam naquela sala. Estava eu, com os meus recém feitos 22 aninhos e depois pessoas da idade do meu irmão e até dos meus pais. Ver as pessoas que me vão acompanhar, pelo menos, nos próximos dois semestres, foi um misto de intimidante com inspirador.

 

Uma das colegas mais velhas tinha trabalhado a vida toda numa área que definiu como "não tendo nada a ver com isto". A empresa a quem dedicou toda a sua vida despediu-a e ela pensou que não queria mais nada que sequer fosse parecido com o que tinha feito. Há quatro anos candidatou-se à licenciatura de História de Arte e agora está no mestrado. Tive vontade de bater palmas a esta pessoa porque não sei se eu teria a coragem de fazer algo do género.

 

Os restantes colegas mais velhos são pessoas que tiraram cursos na área, nunca exerceram funções - trabalhando noutras áreas -, mas que mesmo assim não perdem nem a esperança de um dia pôr em prática o que aprenderam, nem a vontade de querer aprender sempre mais. Foi por isto que me senti profundamente inspirada por estas pessoas e também pela professora que, graças a todos os santinhos acaadémicos, é daquelas pessoas com que se fica fascinado com o conhecimento e sabedoria duma pessoa.

 

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No entanto, foi igualmente intimidante porque aqui já não se mete o dedo no ar para falar, isso é para pequeninos. Ali, a discussão é aberta, mas ordenada. Não damos propriamente matéria, mas fomentamos a o espírito crítico perante políticas, notícias ou obras de arte. É muito interessante, mas se eu já era tímida em pôr o dedo no ar durante uma aula, agora ainda mais sou. Foi muito difícil não participar, porque contra a minha timidez, tinha vontade de o fazer, tinha coisas para dizer. No entanto, as pessoas que ali estavam tinham ainda mais para dizer do que eu. Não só não encontrei um buraquinho para falar e participar na discussão como também não achei que o que eu pudesse dizer fosse acrescentar algo de novo à discussão. Isto deixou-me profundamente frustada.

 

A mudança de rotina foi e está a ser complicada porque desde pequena que é algo com o qual eu não lido bem. Cheguei completamente exausta a casa e fartei-me de chorar. Chorei no autocarro, no carro e em casa. Só disse hoje ao meu Rapaz e a minha mãe só soube porque chorei em casa. Não contei na altura porque me iam perguntar porque é que eu estava assim e não conseguia encontrar uma resposta minimamente aceitável. Foi só a mudança de rotina. Agora deduzo que se tenha que ir com calma e que para a semana já vou consegui dizer algo, nalguma aula. É ter paciência e continuar a trabalhar.

 

Ser chorona é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

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A Marta

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