A minha segunda feira passada foi um dia complicado. Apesar de ter sido recheada de acontecimentos felizes - como contei no último post - foi um dia complicado por passar grande parte do tempo a tentar desviar-me das redes sociais. Há uns anos isto seria coisa fácil. Aliás, poucas eram as redes sociais que utilizava e, graças a Deus que não tínhamos acesso ao Hi5 pelo telemóvel.
No entanto, na passada segunda feira não passei o dia a evitar redes sociais como uma forma de me desligar do telemóvel e do mundo online, só porque sim, só por estar cansada disso. Tive que me desligar das redes sociais, o dia todo, porque era o dia de estreia de Game Of Thrones. Mesmo assim, com todo o esforço, a coisa não correu assim tão bem como eu queria.
Tenho uma relação de amor-ódio com números. Na escola sempre detestei matemática e mais tarde fisico-química e outras disciplinas que tais. Sorte a minha que tinha jeito para as outras e por isso a minha escolha em seguir humanidades no secundário não foi só para fugir à matemática. Nessa altura, detestava mesmo tudo o que metesse números.
Com o tempo fui percebendo que os números, às vezes, podem ser coisas giras. Engraçadas, até. Nos casos mais bonitos, podem medir o tempo que passamos com alguém de quem gostamos. São os dias de aniversário em que a família e os amigos se juntam. São os anos de uma pessoa, os anos de casamento, de namoro, os anos que se trabalha num determinado sítio - motivo de especial felicidade nos dias que correm. Podem ser os nove meses que faltam para uma criança nascer, o seu primeiro aniversário. Podem ser o número que vemos no extrato bancário quando recebemos o ordenado. Pode ser o "-70%" quando vemos aquela coisa que há tanto queríamos comprar e está finalmente em saldos. Os números podem ser muito felizes.
Sabem quando estão descansadinhos em casa a ver as redes sociais e começam a ver várias referências a um determinado sítio? Pois, isso aconteceu-me, mas passou-me. Estão a ver quando isto começa a acontecer dois, três, quatro dias seguidos? E começam realmente a ficar com vontade de ir ver de perto o porquê de tanta gente falar e gostar de determinado sítio? Foi isso que me aconteceu com o Merkado, na Venda do Pinheiro.
Assim que tive oportunidade peguei numa amiga e desafiei-a para irmos experimentar este espaço que reabriu no passado mês de junho e sobre o qual, confesso, nunca tinha ouvido falar antes. Algo que nos chamou logo a atenção foi a localização. Tanto eu como a amiga que me acompanhou neste jantar somos da zona em que se situa o restaurante e nenhuma de nós se tinha alguma vez aventurado pelos caminhos que vão dar ao Merkado. Num primeiro momento isto pode parecer um ponto negativo, mas não. Visto que agora toda a gente tem um telemóvel ou mesmo um carro com GPS, chegar lá é fácil, mesmo que seja por entre ruas e ruelas. Isto acaba por ser um ponto muito positivo porque afasta o restaurante das estradas e ruas principais, oferecendo ao cliente uma atmosfera mais calma e com maior privacidade.
O calor excessivo é uma coisa com a qual me dou muito mal. Por essa razão, pensar nos meses de julho e agosto começa-me logo a trabalhar na ansiedade porque sei que não vou conseguir dormir, comer, andar na rua à vontade e que vou andar a transpirar constantemente como se tivesse acabado de treinar. Ao contrário de 99.9% das pessoas aqui da minha zona - que ainda por cima é tão perto do mar - prefiro muito mais um bom dia de inverno.
No entanto, também entendo que verão não tem que ser só sinónimo de torrar ao sol e tão lagosta que nem se consegue vestir uma t-shirt. O verão também tem coisas agradáveis. Por alguma razão, uma das coisas mais agradáveis do verão e que toda a gente parece ter esse mesmo desejo quando começam a chegar os meses de calor é comer sardinhas.
Sabem quando têm uma quantidade estúpida de coisas na cabeça e outras tantas coisas para fazer e parece que ninguém vos deixa? Sabem quando, se calhar, não são assim tantas coisas, mas começam a stressar tanto que parece que essa lista aumenta realmente? É como me sinto hoje.
Esta foi uma semana em que a minha ansiedade andou, de vez em quando, a dar o ar de sua graça. Sendo que nunca o fez de forma demasiado óbvia - algo que me deu imenso jeito, porque agora a trabalhar, isso seria, no mínimo, embaraçoso - a verdade é que a fui sentindo levemente. Tentei ao máximo abstrair-me dessas preocupações e fazer o meu dia a dia normalmente, como se nada fosse. Hoje acordei muito bem, comecei a trabalhar muito bem, mas agora a coisa está realmente complicada.
Tal como já estão fartos de saber, faz hoje uma semana que fui ao NOS ALIVE ser feliz. Essa missão foi muito bem sucedida: fui, realmente, muito muito feliz no passado dia 6 de julho. O Alive - sobretudo o Optimus, e nem tanto o NOS - tem um lugar muito especial no meu coração, há já muito tempo. Apesar de não ter sido o primeiro festival a que fui - esse foi o clássico Rock In Rio, em 2006 - este foi o segundo, logo em 2009. Já lá vão quase dez anos e eu era uma autêntica criança. Quando me agarrei à grade depois de quase um quilómetro a correr para lá chegar - a sério, é mesmo cerca de um quilótro -, lembro-me de ter aquela sensação de vertigem quando olhei para cima e vi a dimensão daquele palco que, para uma criança, até assustava.
Foi ali em Algés que vi alguns dos concertos mais inesquecíveis da minha vida e que me marcaram profundamente: no topo da lista, sem dúvida nenhuma, Coldplay e Radiohead. São muitos mais aqueles que na altura me fizeram gritar e chorar que nem uma bebé e que guardo no meu coração com todo o amor, anos depois - mas esses dois, foram qualquer coisa de extraordinário. Jamais esquecerei aqueles momentos em que o público parecia ser um só a cantar The Scientist. Foi também arrepiante quando toda a gente, de olhos postos no palco - e alguns, com lágrimas - cantavam Stay With Me, de Sam Smith, com tudo o que tinham.