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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

18
Mar17

Baby Carmezim, uma miúda engraçada #2

Já passou mais de um mês desde que fiz o primeiro - e último post - deste género. Não sei bem porquê, até porque foi dos posts que mais gozo me deu fazer e sobre o qual recebi várias mensagens muito bonitas de pessoas que gostaram de o ler. 

 

Antes sentia uma dificuldade enorme em arranjar um tema para escrever. Com este blog, o meu problema é ter temas a mais. Vejo várias coisas no meu dia a dia sobre as quais penso "isto daria um post mesmo engraçado", mas - feliz ou infelizmente, depende do ponto de vista - falta-me o tempo para conseguir escrever aqui todos os dias como gostava. Estou até a ponderar pôr mais do que um texto por dia, porque realmente, sinto que tenho que aproveitar ao máximo as oportunidades em que posso cá vir e falar um pouco convosco. 

 

Bem, e entretanto já me perdi. Hoje trago-vos mais uns pedacinhos da Baby Carmezim, porque os registos de histórias fantásticas desta pequena estrela continuam aqui, à espera de serem publicados. 

 

 

15
Fev17

Aquele nervoso graúdo

Qual é coisa qual é ela, que é mais difícil de lidar do que ficar com saudades de alguém?? É matá-las! Meu Deus, já tiveram o vosso mais que tudo longe de vocês durante um espaço de tempo - que para tanta gente seria uma mera anedota, e por isso não vou revelar o total de dias - que parece uma autêntica eternidade? Até me deu borbulhas, aquelas bem vermelhas e terríveis. Chamei-lhes reacção alérgica a estar longe do Rapaz. 

 

Um dia ouvi a minha cunhada a falar do meu irmão e no meio dum discurso bem bonito, ouvi-a dizer "Sabes, sinto saudades do teu irmão todos os dias!". Na altura, acenei com a cabeça, fiz um ar de riso mas creio de não me pronunciei. No entanto, sei que pensei "Vá, vamos ter calma. Gostas muito dele..... mas não é preciso exagerares." Este é apenas um pequeno e rápido exemplo de como só pudemos mesmo julgar uma pessoa quando estamos na sua pele, a sentir o que ela sente. Eis que o feitiço virou-se contra a fadinha - eu própria - e já percebi exatamente o que ela quis dizer. 

 

O Rapaz voltou e é uma alegria que nem vou tentar escrever sobre ela porque seria apenas tolice tentar arranjar definição para um sentimento que não tem uma. Foi como se o visse pela primeira vez. 

O único senão numa situação destas é o relógio que não pára, as horas que passam a correr, e as saudades que simplesmente não se deixam matar. Isso pode deixar uma pessoa verdadeiramente ansiosa, porque a vontade é de engolir o Rapaz, para que ele fique aqui. Engolir de beijinhos. Guardar o seu cheiro numa garrafinha só para mim. Se calhar isto dito assim não parece lá muito saudável, mas é. Somos uma equipa, somos os melhores amigos, e apesar de sabermos isso todos os dias, é quando temos saudades um do outro - mas preferencialmente na fase de as matar - é que isso ainda se torna mais evidente para nós. E é maravilhoso.

 

Hoje queria que ele tivesse ficado, talvez mais do que nos outros dias. Não só porque ainda temos muitas saudades para matar, mas também porque hoje ele levou com um mini-amoque. Demos bem a volta à coisa, que ele sabe como me acalmar. Mas sabem quando sentem montes de emoções - mesmo que sejam boas - e eis que surge algo que nos faz choramingar um bocadinho? Pois, foi isso. Ele - lindo que só eu sei - abraçou-me e não me deixava ir mesmo que eu tentasse. Não tentei, obviamente. Não tentei porque há muitas saudades para matar e porque só ele sabe como me mostrar que está tudo bem e - curiosamente - que não tenho razão.

 

No entanto, ficou no ar a promessa de que vou respirar fundo mais vezes. Em vez de olhar para o que me dá urticária, olhar para ele, porque na realidade é só isso que me basta para perceber que está tudo bem - e que vai estar sempre. Ouviste, amor? A menina promete. Provavelmente até foi dos nervos da entrevista de amanhã, juro! Sabes que normalmente não sei ter nervos miudinhos, são logo graúdos. Obrigada por me segurares quando parece que me vou partir, meu amor. Desculpa lá a namorada exagerada. Só mais um bocadinho de paciência.

 

Estar muito grata é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

10
Fev17

Baby Carmezim, uma miúda engraçada #1

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Há uns dias mencionei como todos cá em casa temos pena de eu não ter nascido numa altura em que já toda a gente tinha internet, ou mesmo um computador. Hoje em dia sou a maior fã de famílias online, quer seja por aqui nos blogs ou mesmo no YouTube. Ver os miúdos a crescer, ter a sensação que também os acompanhamos e assistir às suas malandrices, são das coisas que hoje em dia mais gosto de fazer. Experimentem a ver um vídeo desses depois de um dia mesmo chato.

 

Eu também era engraçada. Quando era pequenina, sempre quis ser crescida o mais rápido possível. Queria cozinhar como a minha mãe, queria namorar como o meu irmão, queria ter a minha casa como a minha avó, queria ter uma uma oficina como o meu avô, queria ter um carro como o meu pai e queria andar na escola dos crescidos como a minha prima Cathy - até o nome dela eu queria ter, achava tão giro! Por todas estas razões, lembro-me de ser extremamente atenta a tudo o que eles faziam e diziam. A parte engraçada, era quando tentava reproduzir. 

 

Isto bem pensado, dava um grande canal de YouTube, tenho para mim. Mesmo não tendo isso acontecido, a minha mãe não deixou que essas tolices minhas caíssem no esquecimento e escreveu-as todas. Em papel, à mão, tenho grande parte de pequenos pormenores que deram origem à pessoa que sou hoje, e adoro ler cada linha. Nada está romantizado, muitas vezes até são apenas listas de pontos com as coisas que fiz ou disse nesse dia, mas não perde a piada nem fofura por isso. 

Mesmo que seja com vinte e um anos de atraso, quis aproveitar este meu cantinho para partilhar algumas das coisas que a minha mãe certamente escreveria no cantinho dela, caso o tivesse tido. 

"Três de Julho de 1997 - ano e meio:

 

A Marta levantou-se de manhã e pensou que não estava ninguém em casa. O Tiago (o meu irmão mais velho) estava a dormir. Quando a minha mãe (a avó Rosalina) foi lá a casa, a televisão estava ligada e a Marta andava de tricíclo pela casa. No sofá estavam o meu roupão e a colcha da caminha dela.

 

Ontem fomos à Feira de S. Pedro. Enquanto passeavamos, a Marta - toda empertigada - ia à frente e dizia: 

- A Marta está a ver!

Fazia barulho com a garganta para depois dizer:

- Desculpe, com chenxa! - que é como quem tenta pedir um "com licença" muito adulto. 

 

Pelo caminho de volta para casa, no carro, veio a cantar o coro inteiro da Marcha da Azueira - marcha em que a minha mãe cantava e o meu pai marchava, na localidade em que sempre vivemos. 

Quando chegámos a casa, a Marta foi logo brincar, fingindo que estava a fazer comida para as bonecas. Cortava pedacinhos de folhas das flores que ia apanhar à rua, punha num tachinho e fingia que punha o fogão a aquecer.

Vinte e seis de Setembro de 97 - dois anos:

 

Quando chega a noite, a Marta vai para o meu quarto, abre a gaveta que tem os meus lenços de pôr ao pescoço e começa a colocá-los. Quando encontra um de que gosta mais, olha para mim e diz:

- A Marta bonita!

 

Quando lhe chamamos de "Barriguda" ela empertiga-se e diz:

- Não chama barriguda!

- Então como te chamas?

- Marta!

- Marta quê?

- Marta Zim Çalves!

 

Ainda não faz xixi no bacio. Quando tem vontade, corre para o primeiro cantinho que encontra, agacha-se e ali fica a fazer o que tem que ser feito. 

Reconhece todos os programas e anúncios da televisão e sabe distinguir os logotipos de cada canal. Adora ervilhas, grão, maionese e feijão-verde. Prefere o peixe à carne. 

 

Tem pavor da maca para onde tem que subir para se despir, quando vamos ao pediatra. Começa a gritar:

- A Marta tem medo da cama!!!

 

Quando quer pedir alguma coisa, faz carinha de anjinho e diz:

- Óh mãe, deixa a Martinhaaaa....."

 

Bem-vinda à blogosfera, Mãe! Hoje o meu cantinho foi todo teu!

 

Ser espirituosa é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

02
Fev17

Entre o "olá outra vez" e o "é desta!"

Sabem aquelas pessoas que tentam combater um vício durante anos, tudo parece estar a correr às mil maravilhas, até que se dá uma recaída? Eu fui uma dessas pessoas, e durante anos - note-se, tenho só 21 - o meu vício era ser pesarosa, melancólica e, no fundo, triste. Achava tanta graça a isso, achava as pessoas que assim o eram tão fascinantes e hoje... bem, hoje riu-me dessa miúda, num misto de pena e gratidão por ela já ter percebido que, convenhamos, assim não dá.  

 

Para combater esse meu vício recorria aos blogs. Já nem sei o número deste, se os formos contar como "tentativa 1", "tentativa 2" e por aí fora. Sempre fora esse o meu método: estás triste? Então escreve. Podia aqui romantizar a coisa, dizer que era uma espécie de escape, mas não. Na maior parte das vezes, eu estava assim, eu escrevia assim, porque queria. Gostava de me sentar sozinha em cafés a ler o Livro do Desassossego, gostava de tudo o que conseguisse ser mais sombrio do que aquilo que eu sabia ser. Eu, então essa pobre miúda, achava que só iria conseguir criar algo de que me orgulhasse - e mais, de que os outros gostassem - se fosse triste ou melancólico (deprimente, até) porque essas eram as únicas emoções que valiam realmente a pena ser sentidas. 

 

Pobre miúda. Prova de que todo este método está errado? O momento da recaída - desisti de todos. Apagava e voltava a criar. Nomes diferentes, uns em nome próprio, outros com alter-egos (pseudónimos, claro, para me sentir mais próxima de me tornar tão torturada quanto o Pessoa). Tudo caiu no pior dos esquecimentos: no meu próprio. 

 

No ano em que me licencio na Faculdade de Letras de Lisboa, em que vou estagiar, começar o mestrado, começar a trabalhar, em que me vou mudar e arranjar um cachorrinho para me aquecer os pés quando o meu namorado não puder... acho que não haveria mesmo melhor momento para recomeçar a fazer algo de que tanto gosto, gostando hoje tanto de mim e dos que me rodeiam. 

 

Hoje, regresso aqui com a vontade de gritar "é desta!". Ao fim de talvez 3 anos após a minha última tentativa, vou experimentar um novo método: e se eu experimentar escrever, estando feliz? Estando a saltar para fora de mim própria de feliz? Aquele feliz que pode correr o risco de meter nojo, porque as coisas até estão a correr como se quer? É que se há uns anos havia uma miúda que apelidavam de gótica e que metia nojo de zangada com o mundo - vá-se lá saber porquê - hoje olho para mim como uma mulher feliz, que não mete menos nojo por isso. Suponho que essa seja realmente a minha cena: meter nojo. E neste cantinho, mesmo que seja só o meu namorado e a minha mãe a ler, espero meter nojo durante muito tempo.

 

E sim: o nome é mesmo com Z.

Vamos ser felizes aqui, sim? É desta!

Eu sou (Sinónimo de) Carmezim

Marta

Sinonimo de Carmezim

Sou a Marta e gosto de escrever umas coisas de vez em quando.

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