Em toda a minha vida fui duas vezes à noite de Santo António em Lisboa - ou como lhes chama toda a gente: "a noite dos santos". Só esta premissa já é errada. A expressão "noite dos santos" está no plural e por isso, remete para o dia 1 de novembro, também conhecido como "a noite de todos os santos". Logo aqui, dizer que vamos à noite d'"os santos" em junho, já é indício de algo errado.
Na primeira vez que fui estava a atravessar o meu primeiro ano de faculdade e estanto a viver em Lisboa, era praticamente obrigatório ir "aos santos". Fui com um grupo de amigos e jurei para nunca mais. Nunca mais, naquele ano, porque no ano seguinte lá fui eu - parvalhona - arrastada para mais uma noite "dos santos". Já aqui vos falei de como, com os anos, tenho vindo a gostar cada vez mais de arraiais populares. No entanto, a noite "dos santos" em Lisboa é um arraial em esteróides e eu nunca fui adepta de substâncias ilícitas.
Já sabem que vivo no campo, numa aldeia pequenina. Durante muito tempo, quando era jovem e não pensava - outros tempos, obviamente - estava sempre a dizer que não via a hora de sair daqui. Achava tudo demasiado pequeno, demasiada gente conhecida, demasiada fofoquice, demasiado... pouco. Ainda há pouco tempo a minha mãe me disse que quando eu era pequena ela já me estava a ver a pegar numa mala e viajar sozinha. Hoje em dia, não vejo razão nenhuma para tal acontecer.
À medida que fui crescendo fui deixando essa mania de querer ir viver para uma cidade grande, de parte - provavelmente por ter começado a passar os meus dias numa. Comecei a andar mais a pé - para deixar de achar tudo assim tão perto - e com a fofoquice, vai-se aprendendo a lidar. Na maior parte das vezes até tem graça. Hoje, apesar de querer sair de casa dos meus pais, gosto de viver aqui. A melhor parte de viver numa aldeia pequena? É que há volta existem uma quantidade infinita de outras aldeias iguais. A melhor parte de estar rodeada de aldeias pequenas durante o verão? As festinhas, os arraiais - melhores que os académicos!