Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

22
Jan18

O meu irmão e o Jim Carrey

Como já todos vocês sabem existem duas coisas que fazem o meu coração sorrir: música e cinema. O gosto por estas duas áreas começou por se manifestar muito cedo - e quando digo muito cedo, não estou a falar dos meus dez anos. Estou a falar de ainda antes de conseguir andar, sobretudo se falarmos do gosto pela música. Há um vídeo meu com meia dúzia de meses a dançar freneticamente o Calhambeque do Roberto Carlos. É outro daqueles tesourinhos bem valiosos do nosso espólio doméstico. A par desse momento existem os inúmeros espetáculos de dança que fazia para a família em todas as ocasiões especiais ou os recitais a cantar Santa Maria. 

 

O gosto pelo cinema, apesar de ter aparecido um bocadinho mais tarde, chegou cheio de força. O primeiro momento de que tenho memória em que pensei "uau, isto é mesmo giro!" foi a ver o Titanic em VHS com o meu irmão e a minha mãe. Eu deveria ter os meus 6 anos e numa parte em que o DiCaprio manda uma piada, a minha mãe e o meu irmão, naturalmente, riram. O que eles não esperavam era que eu risse também. Lembro-me que o meu irmão até pôs o leitor de vídeo em pausa para me perguntar do que me estava a rir. "Então, do que ele disse!". Tinha acabado de conseguir ler a primeira legenda da minha vida. 

 

O meu pai foi o grande responsável por eu gostar e conhecer música, sobretudo de artistas da velha guarda como Michael Jackson ou Stevie Wonder. O meu gosto pelo cinema, especialmente a partir do momento em que se apercebeu que eu já era capaz de ler uma legenda ou outra, veio do meu irmão. Para além do Titanic - que continua a ser o meu filme preferido de todos os tempos - o meu irmão mostrou-me todos os clássicos e todos os grandes filmes. 

 

Lembro-me de ver toda a saga de O Padrinho, Os Condenados de Shawshank, O último Samurai, Braveheart, Bom Rebelde, Cidadão Exemplar, todas as Missão Impossível e tantos outros que seriam demais para vos estar aqui a dizer. O meu irmão passou-me este bichinho, mas hoje em dia já sou eu quem lhe dá as dicas sobre o melhor e o pior. Um dos filmes que mais marcou a história do cinema e que o meu irmão me mostrou com mais entusiasmo foi O Máscara, com Jim Carrey. Para além da história mirabolante - e esquecendo o facto que quando ele punha a máscara me assustava um bocado - lembro-me de que essa foi a primeira vez que achei um ator absolutamente genial, em termos de performance. 

 

the mask smoking GIF

 

Até aí nunca tinha olhado para os atores enquanto isso mesmo - atores. Com O Máscara percebi que aquilo era demais para uma pessoa "normal". Era extraordinário. Os comentários do meu irmão a ver o filme também ajudavam. O meu irmão era - e continua a ser - um grande fã de Jim Carrey e ensinou-me a perceber o quão inacreditável ele está no filme. A partir desse dia nunca mais me esqueci deste nome: Jim Carrey. Com ou sem o meu irmão vi os outros grandes filmes em que ele entrou e outros pequenos sketches do ator. Mas há muito que já não ouvia falar dele... até agora. 

 

Na Netflix podem encontrar o documentário Jim e Andy, em que vemos e ouvimos o Jim Carrey de hoje a refletir sobre a sua carreira, destacando o momento em que interpretou o seu ídolo Andy Kaufman no filme Man on the Moon. Fiquei supreendida quando, no ecrã incial da Netflix, dei de caras com um Jim Carrey mais velho, de barba biblica e de ar mais compenetrado. Foi diferente. Foi interessante. 

 

Vi o trailer e soube logo que tinha que ver este documentário. Temos direito a ver imagens reais das gravações de Man on the Moon, gravações essas que estiveram 20 anos sob a alçada da Universal, sem serem vistas pelo público. Em pouco mais de hora e meia vemos Jim Carrey a desaparecer durante aquelas gravações. Ele desaparece completamente, para encarnar e personificar aquele que era o seu grande ídolo. É impressionante, quase bizarro quando vemos até membros da família do próprio Andy Kaufman em lágrimas enquanto assistem à rodagem do filme porque o Jim Carrey era, efetivamente, Andy Kaufman. 

 

É um documentário fantástico que não posso aconselhar vezes suficientes, sobretudo se em algum momento da vossa vida gostaram de ver este senhor trabalhar. É também um ótimo exercício de reflexão sobre a nossa essência, a nossa "missão" na terra e acima de tudo é um documentário sobre identidade. Tudo isto com hora e meia do Jim Carrey louco dos anos 90 e um mais sóbrio, de 2017. 

 

Obviamente que já disse ao meu irmão que ele precisa de ver este documentário. Tal como ele me disse, quando eu tinha os meus 7 anos, que eu precisava de ver O Máscara hoje sou eu que lhe digo que precisa de ver Jim Carrey a falar sobre o Jim Carrey de há vinte anos atrás. Digo-o ao meu irmão e digo-o a vocês, que não se vão arrepender!

 

Bons documentários são (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Sinonimo de Carmezim

Por detrás deste blog está a Marta. Com 23 anos, saloia de gema, criou este cantinho onde vão poder encontrar tudo o que é sinónimo da sua pessoa.

ÚLTIMO VÍDEO

instagram

Find me on facebook

Parcerias

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.