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(Sinónimo de) Carmezim

(Sinónimo de) Carmezim

02
Mar17

Todas as felicidades do mundo

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Estou de volta ao mundo real. Já não estou rodeada de tartarugas ninjas, Wallys nem unicórnios. Estou inteira, com mais algumas nódoas negras, horas de sono por repôr e voz por recuperar. Mas foi tão bom, que vocês nem fazem ideia.

 

Todos os anos a minha mãe goza comigo porque volto sempre para casa a dizer que foi o melhor de sempre - e este não foi excepção. Este roçou ali o escandaloso. Passei-o com pessoas tão boas, daquelas mesmo ideais para um carnaval como é o de Torres. Tanto, que houve um dia - enquanto lá estávamos todos ligados às máquinas a tentar recuperar o mais possível para a próxima noite - que dei por mim a pensar "passava aqui mais uma semana de férias com esta malta".

 

Rodearmo-nos de pessoas assim faz mesmo bem à alma e a verdade é que na correria do dia a dia nos esquecemos destes momentos de qualidade. Qual app anti-stress, qual quê. 

 

Anti-stress é acordar a rir. Éramos muitos a dormir na mesma sala e tudo se ouvia. Por isso, sendo eu uma pessoa de riso fácil, acordei quase todos os dias a ouvir alguma parvoíce que alguém dizia e pronto: acordava à gargalhada. O Rapaz ouvia-me a rir, acordava e ria também. Foi assim que começaram todos os dias. 

 

Anti-stress eram os "almoços" e os jantares. Encher os copos de vinho tinto e comer bem, comida quentinha, parecia acabada de fazer e isso deixava logo a casa a cheirar melhor. A música de fundo a aumentar de volume com as horas que passavam - "mete uma funkada!", ouvia-se alguém dizer entre gargalhadas. Dançávamos, cantávamos, maquilhávamo-nos, tirávamos fotos e lá seguiamos para a festa. 

 

Anti-stress é dançar sem que ninguém te diga que já chega ou que já acabou, porque isso não acontece. Ali, nunca acaba. Nem a dança nem as pessoas conhecidas. Eram todos amigos. Uns não via há meia hora, outros há uma noite, outros há meses. Alguns eram mesmo estranhos que pediam uma foto só porque adoraram a nossa máscara. Todos eram recebidos com o mesmo entusiasmo. 

 

Anti-stress é comer uma bifana e beber uma imperial às nove horas da manhã com metade do teu grupo de amigos, porque o resto ouviu "olhaaaaa a explosãaaooo" e foi dançar para dentro de algum bar. Não fazia mal, o ponto de encontro é o mesmo todos os dias.

 

Anti-stress é pôr um autocarro inteiro a rir por se falar alto de mais. É apitar no apito do vizinho, que já dorme, quase provocando um ataque cardíaco ao pobre coitado. 

 

Anti-stress é dançar mais. É rir dos amigos na coluna para depois te juntares a eles. É o long-island fresquinho, daqueles que parecem ice tea. Anti-stress é vir para casa horas depois, com o sol a bater nos olhos, a cantar as músicas que se ouviram durante a noite, discutindo o que dizem as letras afinal. 

 

Anti-stress é a ceia, onde se vê a beleza de se estar vivo no resto de rolo de carne ou nas batatas do cozido à portuguesa. É rir mais, porque alguém adormeceu debaixo da mesa da sala. Anti-stress é chamar "de manhã" às 18 horas de domingo e não ver mal nisso. 

 

Anti-stress é ser a Harley Quinn e adormecer abraçada ao Joker. 

 

O retorno ao mundo real é mesmo difícil, acreditem. É difícil terem que lidar com a pressa das pessoas, com as caras carrancudas e com chatisses que me parecem tão pequenas agora, depois de ver felicidade num grupo de pessoas que às vezes bastava estarem só lá que sabíamos que estava tudo ok.

 

É difícil, mas tem que ser. Tinha prometido que hoje era o dia em que partilhava o meu blog nas minhas páginas pessoais. Ainda não sei se o vou fazer. Mas caso o faça e apareça aqui alguém que passou por isto comigo, obrigada maltinha. Anti-stress são vocês e este carnaval que agora passou. E sim, eu prometo que é a última vez que falo do carnaval, mas nesta altura do ano é mesmo mais forte do que eu. 

 

Saudades do carnaval é (Sinónimo de) Carmezim.

Marta.

03
Fev17

Rio, rio, rio... Rio p'rá não chorá

Hoje o meu dia foi daqueles dias a meio gás - literalmente, que o meu esquentador desligou-se duas vezes enquanto tentava tomar um banho que me deixasse mais acordada. 

 

Tudo fazia prevêr que o dia não fosse grande coisa: uma noite mal dormida, o dia inteiro de pijama, lidar com a incompetência dos serviços académicos da universidade, a promessa de que às 19 horas ia ao ginásio - promessa essa, totalmente falhada -, a net que encravava a minha tentativa tosca de deixar de ser a única pessoa do mundo que ainda não viu "A Rapariga no Comboio" e finalmente esse banho - também ele falhado - entre a água quente e gelada. 

 

Assim foi passado o meu dia. Fantástico para quem quer começar a escrever sobre coisas interessantes, certo? 

No entanto - e muito sinceramente, em busca de arrebitar para que a inspiração não me faltasse - decidi ouvir música brasileira enquanto tentava tomar o meu duche. Ora, outro aspeto importante sobre mim que me esqueci de mencionar na minha apresentação de ontem é que moro numa pequena terra nos arredores de Torres Vedras. Provavelmente já ouviram este nome, se calhar nos telejornais, uma vez por ano, graças ao nosso carnaval. Sim, faço parte desse grupo de malta tresloucada que prefere ter menos 5 dias de férias no verão para os poder usar na última semana de fevereiro. Desde a passagem de ano que tudo o que o torriense pensa já no carnaval, e portanto, escusado será dizer que a minha playlist carnavalesca há muito que toca nos meus fones - e, sejamos sinceros, em tudo o que é sítio cá em casa. 

 

A música sempre foi uma parte muito importante da minha vida. Os meus vídeos a cantar sem saber falar são das coisas mais deliciosas que podem ver na vida. Acreditem, são imensas as vezes que lamento que os meus pais não tenham vivido numa altura em que o YouTube fosse algo, porque caso tivessem vivido, um patrocínio da Chicco tinha-lhes certamente batido à porta - modéstia à parte. 

 

Hoje, quase 21 anos depois dessas gravações, o meu dia a meio gás voltou a lembrar-me de como, às vezes, só precisamos de ouvir a música certa. Aqui pelos lados do mundo digital vemos muito a expressão "music on, world off" mas às vezes, a magia não está propriamente aí. A magia está antes quando ouvir a música certa nos faz acordar e olhar à volta, dando-nos energia para o dia que ainda resta. 

 

Hoje, aquele banho tinha tudo para correr mal. Aquele esquentador a meio gás tinha tudo para me deixar ainda mais aborrecida com o meu dia a meio gás. Mas não. Enquanto esperava que os problemas técnicos se resolvessem, sambei para não congelar. E uma coisa vos digo: a Carmen Miranda iria roer-se de inveja se visse o meu turbante de espuma. 

 

Carnaval é (Sinónimo de) Carmezim

Marta.

Sinonimo de Carmezim

Sou a Marta e gosto de escrever umas coisas de vez em quando.

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